Ucrânia: mortes de civis em julho superam junho e atingem nível mais alto desde início da guerra, segundo a ONU
Julho foi o mês mais letal para civis na Ucrânia desde o início da invasão russa, em 2022, aponta um relatório publicado nesta quinta-feira (13) pela Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU (HRMMU). Nas últimas semanas, a Rússia tem intensificado os ataques a Kiev com mísseis balísticos. Para tentar responder, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky pediu aos Estados Unidos que vendam à Ucrânia mais mísseis interceptores Patriot.
Durante o mês de julho, a Rússia lançou um número recorde de mísseis contra a Ucrânia, de acordo com uma análise da AFP baseada em relatórios diários da Força Aérea Ucraniana, enquanto Kiev pressionava o presidente dos EUA, Donald Trump, por mais recursos para combater os ataques.
Pelo menos 437 civis foram mortos e 2.610 ficaram feridos. Os números representam um aumento de 30% em comparação a junho deste ano, que já havia sido apontado pela Missão da ONU como o mês mais letal para civis .
Desde o início do ano, a agência das Nações Unidas registrou 12.477 vítimas civis (1.839 mortes e 10.638 feridos), mais que o dobro em relação a 2024.
"Os civis enfrentam riscos crescentes devido ao uso cada vez maior de mísseis e drones em centros urbanos, bombas em cidades próximas à linha de frente e drones de curto alcance", observou Danielle Bell, chefe da HRMMU.
A capital ucraniana pagou um preço particularmente alto no mês passado, com pelo menos 54 mortes e 202 feridos. As forças russas lançaram repetidamente bombardeios massivos contra Kiev , usando mísseis balísticos e de cruzeiro.
Drones e mísseis de longo alcance permaneceram a principal causa de ataques à população civil em julho, representando 38% do total, de acordo com a HRMMU. Em contrapartida, o número de vítimas civis na Rússia também aumentou em julho, observou a Missão da ONU, com as autoridades russas relatando 79 mortes e 601 feridos.
A HRMMU afirmou, entretanto, que não conseguiu verificar esses números de forma independente devido ao acesso limitado às informações. Nos últimos meses, os ataques têm se intensificado na linha de frente de ambos os lados , quatro anos e meio após a invasão russa à Ucrânia.
Desde 24 de fevereiro de 2022, a Missão da ONU registrou pelo menos 16.874 civis mortos, incluindo 820 crianças, e 51.273 feridos, números provavelmente subestimados devido à impossibilidade da agência acessar áreas da Ucrânia ocupadas pela Rússia.
Em meio ao aumento das mortes de civis e do avanço de Moscou, Kiev alerta para a necessidade de reforço nas suas defesas aéreas. Nesta quinta-feira, o presidente Volodymyr Zelensky pediu aos Estados Unidos que vendam à Ucrânia pelo menos 5% de seus mísseis interceptores Patriot para combater o crescente número de ataques com mísseis balísticos russos.
"Este ano, a Ucrânia tem duas vezes e meia menos interceptores do que terá em 2025", enquanto "a Rússia, a cada mês que passa, tem o dobro de mísseis balísticos", afirmou Zelensky em entrevista à CNN.
"Este ano, peço aos nossos parceiros norte-americanos que nos vendam 5% dos mísseis interceptores que eles têm em estoque.
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