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Quem te viu e quem te vê

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Quem te viu e quem te vê

O Estado de Minas Gerais já foi berço das nossas mais destacadas lideranças do nosso país. E hoje?

Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves, Itamar Franco, Afonso Pena, Israel Pinheiro, Magalhães Pinto, Bias Fortes, Benedito Valadares, Olegário Maciel e Venceslau Brás, entre outros notáveis, num passado não tão distante, expressaram a importância da política mineira no nosso contexto nacional. Outra singularidade: todos os nossos presidentes eleitos no nosso país foram os candidatos mais votados no Estado de Minas Gerais.

Presentemente, a sua representação está reduzida a duas supostas e questionáveis lideranças, diga-se de passagem, despossuídas de um histórico político que as possibilite alçar voos mais altos. Reporto-me ao candidato Cleitinho, a governador, e ao deputado federal Nikolas Ferreira. A título de esclarecimento, seu penúltimo governador, o inexpressivo Romeu Zema Neto, chegou a ser eleito e reeleito governador de Minas Gerais.

Em relação ao Estado de São Paulo, a despeito de sua importância populacional, social e econômica, não apenas nas próximas eleições, mas sim desde o ano de 1930, nenhum paulistano e nenhum paulista, com seus umbigos enterrados em seu solo, conseguiu chegar à presidência da nossa República. Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo e candidato à reeleição, bem como as candidatas ao Senado, Simone Tebet e Marina Silva, que se encontram nos primeiros lugares para assumir as duas vagas na disputa para o Senado, nasceram em outros Estados.

Bem pior é a situação política do Estado do Rio de Janeiro, afinal de contas, seus últimos cinco governadores já foram condenados e presos, e o mais recente deles, o ex-governador Cláudio Castro, está aguardando voz de prisão.

São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais compõem o trio que integra os mais importantes Estados da nossa federação, daí a sua denominação: Triângulo das Bermudas.

Se no referido triângulo deveriam surgir os melhores exemplos para a nossa representação política, no restante do nosso país, graças à nossa disfuncional e anárquica legislação político-partidária, os nossos partidos se acomodam conforme os interesses dos medalhões de cada Estado e/ou de cada região. A exemplificar: três dos nossos tradicionais partidos, o MDB, o PP e o União Brasil, no Nordeste, apoiam a candidatura do presidente Lula à sua reeleição, enquanto nos Estados da Região Sul e Sudeste tendem a apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro. Não se comportam como nacionais.

No Brasil, a fidelidade partidária é tão confiável quanto a do cidadão que se casa com uma prostituta. Raramente dá certo e comumente dá errado. Minha modesta contribuição: ou estabelecemos uma legislação partidária séria e respeitável ou as nossas próximas eleições dar-se-ão no mesmo clima, ou ainda pior, do que o das atuais.

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