Adriana erra na vingança em Quem Ama Cuida e poderia aprender com clássicos
Adriana (Leticia Colin) decidiu virar o jogo em Quem Ama Cuida e já deu o primeiro passo ao atingir Ademir (Dan Stulbach) em cheio. Mas, nos próximos capítulos, ficará claro que a mocinha ainda está longe de executar uma vingança eficiente. Movida pela emoção, ela corre o risco de falhar contra seus alvos mais perigosos. A personagem deveria buscar inspiração nos próprios clássicos da literatura, um recurso recorrente na novela das nove da Globo.
Na prática, Adriana tem confrontos diretos e ações imediatas, o que pode até render momentos de tensão, mas sem resultados. A fisioterapeuta já posou com livros clássicos nas mãos, e aí é que está a maior virada de chave para sua criatividade.
Para derrotar Pilar (Isabel Teixeira), por exemplo, seria necessário um plano mais frio e calculado, algo que lembra o protagonista de O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas (1802-1870). A obra de Dumas chegou a ser uma inspiração direta para Walcyr Carrasco, que escreve a novela em parceria com Claudia Souto, em O Outro Lado do Paraíso (2017).
Na obra literária, Edmond Dantès passa anos planejando cada detalhe antes de atacar seus inimigos, acumulando provas e poder. É exatamente o tipo de estratégia que falta à fisioterapeuta na novela. Durante sua estadia na cadeia, ela poderia ter dedicado a maior parte do tempo a esse planejamento.
Por outro lado, Hamlet, de William Shakespeare (1564-1616), mostra o risco oposto. O príncipe da história demora tanto para agir que acaba sendo consumido pela própria indecisão. Esse é um alerta para Adriana: se pensar demais ou hesitar diante de seus rivais, pode acabar perdendo o controle da situação e abrindo espaço para novos golpes.
A novela também indica que a protagonista está emocionalmente envolvida demais em sua vingança, principalmente quando o assunto envolve Tom (Allan Souza Lima), marido de sua amiga, Elenice (Mariana Sena). Ela também toma cuidado para não ferir Pedro (Chay Suede), seu grande amor.
Nesse ponto, a trajetória de Heathcliff em O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë (1818-1848), serve como paralelo. Movido pelo ressentimento amoroso, o personagem transforma sua dor em uma vingança destrutiva e paga o preço por isso. Adriana corre o mesmo risco se continuar misturando sentimento com estratégia.
Há ainda exemplos mais extremos.
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