Mortes: Cozinheira generosa, foliona apaixonada e mulher de muitos recomeços
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Na casa de Claudete Ribeiro Velloso, a comida nunca servia apenas para matar a fome. Pães, salgados, tortas em mesas fartas eram a maneira que ela encontrou de reunir pessoas, demonstrar afeto e garantir que ninguém passasse vontade.
"Cozinhar era também uma forma de dizer ‘eu gosto de você’", afirma o filho Vitor Velloso, 44, músico e mestre de bateria da escola de samba Estrela do Terceiro Milênio. Esse cuidado com os outros atravessou uma vida marcada por recomeços. Claudete foi monitora de crianças, corretora de imóveis, vendedora e auxiliar de enfermagem, profissão em que se aposentou. Também encontrou no Carnaval , na pintura, na costura e nas excursões com familiares e amigos outras formas de criar vínculos.
Nascida em Joinville (SC), Claudete tinha um ano quando deixou a cidade de navio com a mãe e a irmã rumo ao Rio de Janeiro . Em Campos dos Goytacazes, no interior do estado, viveu até os 11 anos na casa da avó, benzedeira e parteira.
Na varanda, formavam-se filas de pessoas em busca dos atendimentos espirituais ligados à entidade Vovó Maria Conga, uma preta-velha. Claudete guardou para sempre as lembranças das galinhas no quintal, das árvores frutíferas e da fé que fazia parte daquela casa. Depois, passou a viver com parentes no Rio de Janeiro. Mudou-se para São Paulo aos 18 anos e voltou a morar com a mãe. Como auxiliar de enfermagem, atuou nos hospitais Bandeirantes, Clínicas e Santa Paula, onde encerrou a carreira. "Ela nunca teve medo de começar de novo", diz Vitor. Aposentada, ainda buscou novos caminhos: fez curso de costura, dedicou-se à pintura e encontrou na culinária uma de suas maiores alegrias. Também organizava excursões para a Caverna do Diabo , no Vale do Ribeira , e o Banho da Doroteia, em Ilhabela (SP), com ônibus que saíam da frente de casa, levando parentes e amigos. Claudete ganhou do marido, Carlos Alberto Velloso, o apelido de Zica devido à personalidade forte. Quando ela reclamava de pequenas coisas do dia a dia, ele brincava: "Meu Deus, que mulher zica". Claudete demorava a confiar nas pessoas, mas, quando alguém conquistava seu coração, encontrava nela uma mulher leal e generosa. Viúva, manteve pelo marido um amor que Vitor define como eterno. Ela também tinha o Carnaval entre suas paixões. Torcia por Vai-Vai e Portela e, durante anos, coordenou a ala das Baianas da Sociedade Rosas de Ouro . Levava os filhos aos ensaios e desfiles no Rio e em São Paulo. Foi nesse ambiente que Vitor construiu sua trajetória e se tornou mestre de bateria. Claudete morreu em 26 de agosto, aos 82 anos, em decorrência de um câncer de intestino associado a uma parada respiratória. Deixa os filhos Paulo César, Valéria e Vitor, o filho de coração, o enteado Ricardo, e seis netos.
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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.