Após ameaçar Omã, Donald Trump quer transformar Estreito de Ormuz em território norte-americano
Com o fim do prazo de 60 dias previsto no memorando, que ruiu poucos dias após sua assinatura, Washington dobra a aposta contra o Irã e amplia a pressão sobre seus aliados árabes.
Depois de ameaçar Omã, aliado histórico dos Estados Unidos no Oriente Médio, o presidente Donald Trump elevou ainda mais o tom e disse que gosta da ideia de transformar o Estreito de Ormuz em "território norte-americano". As declarações acontecem depois do fim dos 60 dias previstos no memorando assinado entre Estados Unidos e Irã, um prazo que, na prática, funciona apenas como marco temporal, já que o cessar-fogo estabelecido pelo documento ruiu poucos dias depois de entrar em vigor.
Com a guerra próxima de completar seis meses, Washington amplia a pressão econômica e militar sobre Teerã e endurece o discurso contra países árabes que tentam negociar saídas para a crise. No centro da disputa está o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde normalmente transita cerca de 20% do petróleo negociado no mundo.
Em uma sequência de perguntas e respostas no Salão Oval na tarde de segunda-feira (16), Trump voltou a afirmar que os Estados Unidos controlam o estreito por causa do bloqueio marítimo imposto na região ? uma afirmação contestada pelo Irã e que contrasta com a redução do tráfego marítimo. O presidente foi além ao defender a possibilidade de domínio territorial americano sobre a passagem.
"Nós o controlamos com o bloqueio, e gosto da ideia de declará-lo um território", afirmou Trump.
O presidente dos Estados Unidos também minimizou a capacidade de reação iraniana. "Eles podem ser um incômodo", disse sobre o Irã. Em seguida, acrescentou que os iranianos poderiam colocar minas na água e atingir "navios de um bilhão de dólares".
Apesar do discurso de controle da Casa Branca, o movimento de embarcações pelo Estreito de Ormuz continua diminuindo. Segundo o MarineTraffic, serviço global de rastreamento de embarcações, foram confirmadas 95 travessias na semana passada, contra 118 na semana anterior.
O endurecimento de Washington não se limita ao Irã. Donald Trump voltou a falar sobre Omã, país aliado dos Estados Unidos que há décadas desempenha papel de mediador entre Washington e Teerã. Questionado sobre a ameaça anterior de bombardear Omã, o republicano respondeu apenas que a questão "vai ser resolvida". Antes, em entrevista a uma emissora norte-americana, o presidente havia usado um palavrão ao ameaçar bombardear o país caso os omanitas não agissem da maneira considerada correta por Washington.
A ameaça ocorre enquanto Omã e Irã trabalham em uma negociação para abrir novas rotas de navegação diante do impasse no Estreito de Ormuz. A posição de Omã é particularmente delicada. O país mantém uma relação estratégica com os Estados Unidos, mas, ao mesmo tempo, preserva canais históricos de comunicação com Teerã.
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