Como mulher que recebeu transplante de pulmão acabou com alergia a amendoim
Uma canadense de 47 anos passou a sofrer reações alérgicas graves a amendoim logo após ser submetida a um transplante duplo de pulmão, mesmo nunca tendo tido essa alergia antes da cirurgia.
Documentado originalmente pela revista científica Canadian Respiratory Journal em artigo publicado em 2011, o caso voltou a ganhar destaque graças a sua revisitação em uma revisão de 2025 no periódico Annals of Allergy, Asthma & Immunology, que analisou o fenômeno a partir da comparação com casos similares.
Segundo o primeiro estudo, a mulher foi transplantada em janeiro de 2008 para tratar uma doença pulmonar intersticial, condição na qual o tecido dos pulmões sofre inflamação e cicatrização, prejudicando a respiração do indivíduo.
Os pulmões usados na cirurgia vieram de um menino de 12 anos que morreu por uma lesão cerebral sem relação com alergias, mas que tinha uma conhecida forte sensibilidade a amendoim, embora nunca tivesse sofrido uma crise anafilática por causa dela.
Ainda internada, em recuperação, a paciente comeu uma tigela de cereal matinal e, pouco depois, apresentou um quadro de quase duas horas de vermelhidão na pele, coceira, falta de ar e queda de pressão arterial.
Os sintomas correspondem a um típico episódio de anafilaxia, uma reação alérgica grave e potencialmente fatal que pode afetar simultaneamente a pele, o sistema respiratório, o cardiovascular e o digestivo.
A ocorrência não foi um evento isolado.
Nas semanas seguintes, a paciente teve mais duas crises semelhantes depois de comer uma torta de coco industrializada.
Um quarto episódio ocorreu após o consumo de uma barra de chocolate com amêndoas.
Nenhum dos episódios envolveu, comprovadamente, o consumo direto de amendoim.
Mas como nenhum dos produtos era certificado como livre do alérgeno, isso levou os médicos a suspeitarem de contaminação cruzada nas fábricas.
Alergia "herdada" do doador Cerca de dois meses após a cirurgia, a paciente foi submetida a um teste cutâneo de alergia.
Nesse procedimento, pequenas quantidades de alérgenos são aplicadas na pele para observar se surge uma reação local, como uma vermelhidão ou inchaço.
O resultado foi positivo para amendoim e para pinhão, mas negativo para outras castanhas e para coco, o que reforçou a hipótese de contaminação cruzada, e não de uma alergia a coco propriamente dita.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.