Primavera, enfim, chegou
Em abril de 2018, Lula foi injustamente condenado, como posteriormente reconhecido pelo STF, e preso por um processo judicial corrompido.
Ao invés de fugir para o exterior ou buscar refúgio em uma embaixada, ele tomou a decisão de enfrentar o processo de coração e peito aberto para provar sua inocência e estar ao lado do seu povo.
Buscou refúgio, por dois dias e duas noites, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, sua casa política, e se cercou de amigos, familiares e da militância.
Ali, antes de se entregar aos seus detratores e inspirado pelo poeta chileno Pablo Neruda, declarou: “Os poderosos poderão deter uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a chegada da primavera”.
Em 2022, quando vencemos a eleição, em um importante movimento político-eleitoral de frente ampla, acreditávamos que a primavera proclamada por Lula havia chegado, mas nos enganamos.
Ainda faltavam flores povoando as ruas e as redes.
Ainda tínhamos nos arranjos partidários o principal sustentáculo visível daquela vitória e, portanto, ela ainda se demonstrava demasiadamente convencional e, por que não dizer, frágil para representar a chegada das flores de primavera.
Agora, em outubro de 2026, a primavera acontece.
Em um momento de extrema dificuldade, depois de ficarmos atrás no primeiro turno das eleições, a juventude, sem pedir licença, decide ocupar as ruas e fazer a sua revolução, em atos convocados pelos estudantes e por suas entidades, em especial a UNE.
E ela começa por Niterói, cidade onde foi fundado o PCB, e pelos estudantes de uma das universidades mais beneficiadas pela expansão do Reuni.
De Niterói, as assembleias e os atos se avolumaram por todo o país, os grupos de WhatsApp se multiplicaram e eis que o deputado André Janones decide criar um canal no mesmo aplicativo e dar “missões” diárias que deveriam ser cumpridas com disciplina militar por soldados da democracia.
Milhares e, depois, milhões de pessoas resolvem “se alistar” para “servir” nesta guerra e passamos a lutar contra as big techs usando os seus algoritmos a nosso favor.
Depois dos jovens, movimentos culturais passam a ocupar as ruas, somando-se também aos trabalhadores, organizados ou não, e à terceira idade, e o movimento cívico travestido de “psicose política” passa a contagiar toda a sociedade brasileira.
A onda é de esperança e de amor, mas também é de ódio ao fascismo.
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