A caixinha do nada
Vivemos um gigantesco problema de comunicação.
Falamos uma coisa e o ouvinte entende outra.
Escrevemos uma mensagem e ela chega distorcida.
Discutimos um assunto simples e terminamos brigando por motivos que nem sabemos explicar direito.
E a pergunta que fica é: o problema está em quem fala ou em quem ouve? E se estiver nos dois? Quando a comunicação perde a capacidade de transmitir mensagem e troca de conhecimento, ela deixa de existir — e, com ela, a sociedade deixa de evoluir.
Não é exagero.
É justamente o que Péricles, há mais de dois mil anos, já apontava: pensar sem conseguir expressar é o mesmo que não pensar.
Na coluna Raízes para Tempos Difíceis, publicada dia 15 de setembro, aqui mesmo na Folha de Boa Vista, falamos do quanto se perdeu em dar atenção a livros, a idosos, à tradição familiar.
Mas existe um lado dessa moeda que raramente comentamos: e o contrário? Já repararam o quanto nós também estamos sem paciência para dar atenção aos jovens? Quantas vezes seus filhos lhe perguntaram algo, pediram um minuto de atenção, e você estava ali, ao lado deles, mas com os olhos perdidos em reels do Instagram ou do TikTok? Penso nisso com dor no coração quando lembro que já cometi esse pecado dezenas e dezenas de vezes.
E, como todo pecado, o problema não está apenas em comêtê-lo — está em não percebê-lo.
Voltando à pergunta do início: como resgatar a comunicação dentro de casa? Talvez a resposta, por mais estranho que pareça, esteja no silêncio.
O Pastor Cláudio Duarte tem uma expressão que resume bem isso: a “caixinha do nada”.
Nós, homens, precisamos dela.
Precisamos nos isolar de vez em quando, buscar algo que traga mais paz, ouvir o que está dentro de nós em vez de só absorver o que vem de fora.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folhabv.com.br — o conteúdo pertence a Folha de Boa Vista.