Ex-CNJ não vê ilícito em juiz que sugeriu venda do Banco Santos
O ex-conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Henrique Ávila afirmou não ver ilicitude na conduta do juiz que sugeriu a venda do Banco Santos ao Banco Master .
Paulo Furtado de Oliveira Filho, juiz da 2ª Vara de Falências de São Paulo, foi afastado pelo corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, após a divulgação de gravações que mostram o magistrado em conversas com herdeiros do Banco Santos nas quais sugeriu a venda da instituição ao Master.
À coluna, Ávila afirmou que não vê nada de ilícito nas conversas que mostram o juiz afastado em uma reunião na qual foi discutida a venda da instituição ao banco então controlado pelo empresário Daniel Vorcaro.
“Atuo na área de recuperação judicial há 20 anos e afirmo: não há nada de mais nas falas do juiz.
Nelas, fica claro que ele pretende, como é de se esperar dos magistrados, uma conciliação e o encerramento de uma falência antiga, que dura desde 2005”, disse Ávila.
O ex-conselheiro do CNJ também afirmou que não considera irregular a menção a possíveis substitutos para os advogados dos herdeiros.
“Vejo como orientação.
Os nomes, aliás, mencionados após indagação provocativa feita ao juiz são os de advogados de renome e objetivamente reconhecidos que qualquer profissional da área também mencionaria”, declarou.
Na gravação, feita em 2024, Furtado sugeriu, além da venda do Banco Santos ao Master, a contratação de advogados pela família.
A investigação está sob sigilo.
O encontro teria ocorrido sem a presença da defesa da família, meses após a morte de Edemar Cid Ferreira, controlador do Banco Santos.
Participaram da reunião os três filhos do banqueiro: Rodrigo, Eduardo e Leonardo.
Entenda Furtado teria dito também que a família sairia do processo e que abriria mão de ações de responsabilização movidas contra os herdeiros de Edemar.
Segundo ele, essa seria a melhor solução para encerrar o caso.
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