Memória de peixe: animais são capazes de aprender, dizem especialistas
A expressão popular “memória de peixe”, se referindo a alguém com memória curta, não faz mais sentido depois que estudos recentes mostraram que os peixes conseguem, sim, se lembrar de fatos.
Publicada em 2025 na revista Biology Letters , a pesquisa realizada com duas espécies de peixes, o pargo-de-sela ( Oblada melanura ) e o pargo-preto ( Spondyliosoma cantharus ), treinou os animais para que eles seguissem dois mergulhadores em troca de recompensas.
Ao final do estudo, os pesquisadores constataram que os peixes foram capazes de distingui-los mesmo quando usaram equipamentos diferentes, identificando uma capacidade de memória visual surpreendente.
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“Eles conseguem aprender por associação, reconhecer indivíduos, memorizar locais e rotas, identificar estímulos relacionados a alimento ou perigo e modificar seu comportamento a partir de experiências anteriores”, destaca.
O mito de que os animais teriam apenas alguns segundos de memória não tem sustentação científica.
Além disso, dependendo da espécie e do tipo de aprendizado, os peixes podem inclusive reter memórias por dias, semanas ou até meses.
O zoólogo Eduardo Bessa, da Universidade de Brasília (UnB), reforça que a memória dos peixes é parecida com a nossa.
“Eles têm, inclusive, memórias muito duradouras, ao contrário do que o conhecimento popular diz.
Um salmão, por exemplo, consegue lembrar o cheiro da água do rio onde nasceu e volta para lá anos depois”, conta.
Estudos de pesquisadores brasileiros mostram que os animais conseguem memorizar o conjunto de cores de um recife ou coral por onde passam procurando comida.
Eles lembram do local e conseguem achá-lo depois em meio a todas as espécies, cores e formatos do ambiente.
Juliana explica que não existe um período único de memórias para todos os peixes.
Isso vai mudar de acordo com a espécie, o tipo de estímulo e a repetição do aprendizado, da motivação e também de fatores como idade, ambiente e estresse.
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