Câncer de pâncreas: EUA aprovam remédio que dobra tempo de vida de pacientes
Considerado um medicamento inovador por atuar em um dos cânceres mais desafiadores para a medicina, o tumor de pâncreas , o daraxonrasibe recebeu aprovação nesta quarta-feira, 26, da FDA, agência regulatória dos Estados Unidos.
Em estudos já publicados, o comprimido diário se mostrou capaz de quase dobrar a sobrevida de pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático metastático que já tinham passado por tratamento.
O daraxonrasibe, de nome comercial Rasonque, da farmacêutica Revolution Medicines, conseguiu inibir a atuação de mecanismos que interagem com a atividade de uma proteína chamada RAS que, quando tem alterações, leva à proliferação das células cancerígenas e ao crescimento do tumor.
Agir nessa mutação é importante porque ela é responsável por mais de 90% dos casos de adenocarcinoma ductal pancreático.
Continua após a publicidade A sobrevida global dos pacientes com a mutação RAS foi de 13,2 meses com daraxonrasibe e de 6,7 meses com quimioterapia.
Na comparação para sobrevida livre de progressão da doença, o resultado foi de 7,3 meses ante 3,5 meses dos pacientes em quimioterapia.
Esse avanço no tratamento foi aplaudido por quase um minuto por cerca de 10 000 médicos durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), realizada em maio em Chicago.
Continua após a publicidade ‘Câncer extraordinariamente difícil’ Os resultados animadores para uma doença com sobrevida de cerca de um ano após o diagnóstico serviram de base para a aprovação da FDA, que incluiu o medicamento em ações de revisão prioritária e de análise acelerada .
Desde maio, quando a droga ainda era considerada experimental, o órgão já tinha autorizado um protocolo de tratamento de acesso expandido para pacientes, o uso compassivo, considerando a gravidade da doença e a ausência de outras opções terapêuticas.
“A aprovação de hoje oferece uma nova opção crucial para pacientes que enfrentam um câncer extraordinariamente difícil e historicamente de difícil tratamento”, disse, em nota, o comissário interino da FDA, Kyle Diamantas.
“É nosso dever fundamental disponibilizar mais curas e tratamentos eficazes para os pacientes o mais rápido possível.” Continua após a publicidade Efeitos colaterais reduzidos Os pesquisadores que conduziram o estudo com o medicamento observaram que os pacientes tratados com o comprimido em teste tiveram menos efeitos colaterais do que os que seguiram com a quimioterapia.
Eles apareceram em 43,6% dos participantes que receberam daraxonrasibe, principalmente erupção cutânea (13,7%) e estomatite (12%), e em 57,5% dos que estavam no grupo controle — diminuição de neutrófilos (18,2%) e anemia (16,4%) —.
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