Batizada de ‘Maria’, nova espécie de anfíbio homenageia o nome mais popular do Brasil
André Julião | Agência FAPESP – Maria, o nome feminino mais popular do Brasil e do mundo, foi escolhido para batizar uma nova espécie de cecília – um tipo de anfíbio popularmente chamado de cobra-cega.
A ideia dos pesquisadores ao escolher o nome, Siphonops maria , é popularizar esse animal, pouco conhecido até mesmo por pesquisadores da área.
“Eu mesmo só vi no campo uma vez”, conta o especialista em anfíbios Luís Felipe Toledo , professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp) apoiado pela FAPESP e um dos coautores do trabalho, publicado no Zoological Journal .
A nova espécie foi descoberta a partir de exemplares coletados no Rio de Janeiro.
Seu nome, inicialmente, é uma homenagem a uma Maria específica, parte do grupo de 11 pessoas escravizadas que, entre 1861 e 1874, plantaram mais de 100 mil árvores na Floresta da Tijuca.
A área viria a fazer parte do Parque Nacional da Tijuca, a maior floresta urbana replantada do mundo.
“Acabou sendo também uma homenagem às mulheres do Brasil, uma vez que é o nome mais popular do país e um dos mais utilizados no mundo.
Aqui há mais de 12 milhões de Marias.
Todo mundo conhece uma; por exemplo, a minha mãe e quase todas as minhas tias se chamam Maria”, conta Adriano Oliveira Maciel , pesquisador do Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG), em Belém, e primeiro autor do trabalho.
Não são só mamíferos: conheça outros animais que também hibernam Continua após a publicidade As cecílias são anfíbios de hábitos fossoriais, ou seja, vivem majoritariamente debaixo da terra.
Com olhos reduzidos, têm uma visão limitada (o nome cecília deriva do latim caecus , “cego”), mas dispõem de órgãos sensoriais na cabeça que percebem o ambiente.
As características morfológicas (do corpo) são muito semelhantes entre as espécies, o que dificulta a diferenciação entre elas a olho nu.
Ferramentas genéticas e de microtomografia, porém, têm ajudado nos últimos anos a esclarecer melhor a evolução do grupo.
Esse tipo de trabalho, no entanto, ainda depende da reunião de vários exemplares para comparação, o que pode levar anos.
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