Impasse em Hormuz eleva petróleo e espalha risco inflacionário
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O hemisfério norte se aproxima do fim das férias de verão sem saber quanto petróleo atravessa o estreito de Hormuz . Boa parte dos navios que ainda cruzam a passagem —por onde escoava um quinto do petróleo mundial antes da guerra— desliga os transponders, aparelhos que transmitem identificação e posição, para não virar alvo. O rastreamento virou exercício de estimativa sobre imagens de satélite. Há dois meses o quadro parecia resolvido. O memorando assinado por americanos e iranianos em junho previa a retomada gradual da navegação. O mercado tratou o problema como encerrado e o barril chegou a cair abaixo de US$ 70 no início de julho.
O acordo desmoronou em semanas, depois que o Irã voltou a atacar navios e Washington restabeleceu o bloqueio aos portos iranianos, e o prazo de 60 dias para negociar um substituto venceu na segunda-feira (17) sem nada no lugar. Na terça, Donald Trump publicou em sua rede social a imagem de um mapa com o estreito circulado e a legenda "novo território dos Estados Unidos" , e horas depois negou que houvesse conversas em curso com Teerã, afirmando que a passagem está aberta e as minas, removidas. O Irã chamou o mapa de delírio, e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, listou o preço da reabertura: fim do bloqueio naval, liberação de ativos congelados, suspensão das sanções ao petróleo e fim das operações militares em todas as frentes. Omã tenta mediar sob ameaça de bombardeio do próprio Trump, caso atrapalhe.
Fontes respeitadas não confirmam a versão americana. A Administração de Informação sobre Energia (EIA), braço estatístico do Departamento de Energia dos Estados Unidos, calcula que o fluxo pelo estreito caiu para menos de um quarto do nível anterior à guerra. Ela trabalha com a hipótese de que os embarques sigam severamente restritos ao longo de agosto e não espera que a produção e as rotas de comércio voltem ao padrão pré-conflito antes do início de 2027. Enquanto isso, os estoques mundiais continuam sendo consumidos. Na segunda-feira, Trump afirmou que os preços do petróleo estavam caindo; na manhã seguinte, o Brent passava de US$ 91, o maior valor desde julho. Petróleo caro é, antes de tudo, um problema inflacionário, e por isso a guerra reaparece na conta de juros de países que nada têm a ver com o Golfo. No Brasil, o Boletim Focus, a pesquisa semanal do Banco Central com o mercado, projeta a Selic em 13,75% no fim do ano, com a inflação em torno de 5%, acima do teto da meta. Nem tudo é petróleo —o quadro fiscal pesa cada vez mais—, mas a aposta em juros bem menores foi engavetada.
Na Europa, o problema aparece com mais nitidez no gás do que no petróleo. Os carregamentos do Qatar estão retidos, os estoques do continente são repostos abaixo do ritmo necessário e cada carga disponível é disputada com compradores asiáticos, com o preço de referência perto do dobro do de um ano atrás. A geografia da escalada também muda diariamente.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.