‘Defesa não é pra quando sobrar dinheiro’, diz Lula em aceno a militares
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira, 25, que o governo federal deve ampliar investimentos nas Forças Armadas para garantir a segurança nacional.
“A Defesa não pode ser pra quando sobrar dinheiro.
Temos que preparar o país não para a guerra, mas para a paz, e defender nosso território, nossas riquezas e nosso povo”, declarou Lula.
O presidente falou nesta manhã a jornalistas no Quartel-General do Exército, em Brasília, após evento de celebração do Dia do Soldado .
O aceno de Lula às Forças Armadas, setor que se aproximou da direita conservadora nos últimos anos e ganhou forte presença institucional sob Jair Bolsonaro, ocorre em momento delicado da relação entre Planalto e os militares.
O Ministério da Defesa foi o mais atingido pelo amplo bloqueio orçamentário anunciado pelo governo em maio, quando 4,3 bilhões da verba para investimentos foram congelados.
Na entrevista, Lula ressaltou a importância da defesa para um país que possui “16.800 quilômetros de fronteira seca, 8.000 quilômetros de fronteira marítima, a maior reserva florestal do mundo, minerais críticos e petróleo a 300 quilômetros da margem”.
Continua após a publicidade O presidente exaltou, ainda, o recente ingresso das mulheres em cargos de combate do Exército — a primeira turma feminina da Força inaugurou os trabalhos em março de 2026.
“Elas são as primeiras recrutas do Exército e estão preparadas para mostrar que mulher pode estar em qualquer lugar e fazer qualquer coisa que queira fazer”, declarou o petista.
Além da tentativa de reaproximação com as Forças Armadas, o aceno de Lula acontece em meio às crescentes tensões diplomáticas do Brasil com os Estados Unidos , que vêm ampliando a presença militar na América Latina sob o governo de Donald Trump e defendendo ações mais duras de combate ao narcotráfico na região.
Continua após a publicidade Em junho deste ano, a Casa Branca classificou as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas , o que abre margem legal para intervenções no subcontinente — a decisão, atribuída em parte à articulação entre a família Bolsonaro e o governo Trump, foi considerada uma derrota para o governo Lula e duramente criticada pelo Planalto.
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