Polícia prende entregador suspeito pela morte de homem em Copacabana
A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu um dos entregadores suspeitos de envolvimento na morte de Cláudio Rafael Landeiro, espancado em Copacabana após ser confundido com um ladrão na semana passada.
Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23, foi preso nesta tarde após se entregar. A informação foi confirmada ao UOL pelo delegado Ângelo Lages, da 12ª DP. O jovem estava foragido desde ontem, quando a Justiça expediu mando de prisão temporária contra ele.
Já o segundo entregador, identificado como Ailton José da Silva, 24, ainda não foi encontrado. Os dois foram filmados por câmeras da rua Felipe de Oliveira agredindo a vítima junto com o segurança Davi Santos Machado, que foi preso ontem. Eles contribuíram com socos e chutes, além de terem segurado Cláudio contra sua vontade.
O segurança Jorge Luiz Ricardo Dias foi o primeiro a se entregar na 12ª DP (Copacabana) ainda pela manhã da quinta-feira. Já Davi se entregou na 53ª DP (Mesquita) no início da noite. Jorge teria abordado Cláudio na rua Barata Ribeiro, mas não há indícios de que tenha participado diretamente nas agressões. Davi, por sua vez, também realizou a abordagem e deu cerca de 30 pauladas na vítima.
Davi mudou versão ao longo da investigação e admitiu ter espancado a vítima
Os dois entregadores foram excluídos da plataforma do IFood hoje. Segundo a empresa , a política tem "regras claras para promover um ambiente ético, seguro e livre de violações de direitos para todos os envolvidos".
O UOL tenta localizar as defesas de Ailton, Felipe, Davi e Jorge. O espaço segue aberto para manifestação.
Um vídeo obtido pelo UOL mostra Cláudio saindo de casa por volta das 22h26, de 11 de agosto, em posse da bicicleta. Após abrir o portão, ele sai empurrando o veículo . Ele vivia com a mãe e duas irmãs na residência em Botafogo, na zona sul.
Cláudio tinha transtornos psicológicos, contam os familiares. Ele fazia acompanhamento profissional. "Mesmo em meio a tantas dificuldades, eu sempre consegui enxergar a bondade e a vontade de viver que existia nele", disse uma prima dele em seu perfil social.
O homem morreu por traumatismo craniano e hemorragia interna. Ele chegou com costelas quebradas e vivo ao Hospital Municipal Miguel Couto, no bairro da Gávea, na zona sul do Rio, mas não resistiu.
A vítima era conhecida como "Bart" em Botafogo. Em seu LinkedIn, ele dizia ter sido assistente administrativo em meio período na Dataprev, vinculada ao Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos.
"Ele saiu de casa para ser morto, espancaram até a morte", declarou a mãe dele. "Ele não é um bandido, não tem antecedentes criminais. Simplesmente acharam que ele era um bandido, mas pode ter certeza que quem fez mal ao meu filho não ficará impune", disse Ana Luísa Motta.
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