Mineiro figura como ganhador de 570 prêmios, um total de R$ 176 mi, diz MP
Alvo da nova fase da Operação Carbono Oculto, o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior , conhecido como Mineiro, aparece como ganhador de R$ 176 milhões em prêmios e apostas.
A informação consta de relatório de inteligência financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividade Financeira) que ajudou a embasar a operação, deflagrada hoje pelo MP-SP (Ministério Público de São Paulo) e a Receita Federal.
De acordo com o MP-SP, Mineiro era responsável por realizar lavagem de dinheiro para uma organização criminosa ligada ao setor de combustíveis, esquema investigado pela operação.
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O empresário é dono da Entre Investimentos, conhecida pelas ligações com Daniel Vorcaro , dono do antigo Banco Master. O Grupo Entre está entre as empresas envolvidas no financiamento do filme "Dark Horse ", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
No pedido feito ao TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) para autorizar a ação, o Ministério Público estadual classifica como "suspeita" a movimentação financeira de Mineiro com as premiações. De acordo com o órgão, foram feitas 570 comunicações de prêmios e apostas em que o empresário aparece como "ganhador".
Outro lado: UOL entrou em contato com a defesa do empresário. Se houver resposta, o texto será atualizado.
Entre as movimentações financeiras consideradas suspeitas, o MP-SP aponta também transações de R$ 1,2 milhão em espécie e R$ 1,6 bilhão em operações imobiliárias.
O empresário fechou recentemente acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República), no âmbito das investigações sobre o Banco Master. A colaboração foi homologada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Mineiro detalhou à PGR repasses feitos pela Entre ao fundo Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, usado para receber o dinheiro que financiou o filme "Dark Horse".
Ele também relatou ter enviado pouco mais de US$ 12 milhões (cerca de R$ 62 milhões na cotação atual) ao fundo e afirmou que os repasses foram determinados por Vorcaro, ex-controlador do Master, após pedidos e cobranças do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) em 2025.
O MP-SP afirma que a organização, liderada por Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", e Mohamad Hussein Mourad, o "Primo", teriam "edificado projeto criminoso de lavagem de capitais" para comprar a Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., a Terrana , sucroalcooleira no interior paulista.
Os investigadores apontam que as estruturas que marcaram o controle da Terrana desempenhavam funções de circulação, fragmentação e ocultação dos recursos dos proprietários. Teriam sido movimentados R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025 no esquema.
A usina teria recebido R$ 100 milhões em suas contas bancárias, enviados pela organização criminosa para financiar a compra. Seguindo um modus operandi já apontado pelo MP-SP, os valores passaram "em poucos minutos" por múltiplas contas gráficas de três empresas do grupo, ocultadas por contas bolsões em fintechs, usadas como meras "contas de passagem", até aportarem na conta da referida usina sucroalcooleira.
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