China confirma visita de Xi Jinping aos EUA em busca de ‘estabilidade estratégica’
Pequim confirmou nesta segunda-feira (21) a visita do presidente chinês Xi Jinping aos Estados Unidos e indicou que a prioridade da viagem será fortalecer a relação entre as duas maiores economias do mundo em meio às tensões que marcam o cenário internacional. Xi fará uma visita de Estado ao país entre quarta-feira (23) e sexta-feira (25), a convite do presidente Donald Trump.
Será o segundo encontro entre os dois líderes neste ano, após a viagem de Trump a Pequim em maio, e o terceiro desde o retorno do republicano à Casa Branca, em janeiro de 2025. Segundo o porta-voz da diplomacia chinesa, Guo Jiakun, os dois chefes de Estado discutirão as relações sino-americanas e temas ligados à paz e ao desenvolvimento global.
A China afirmou estar disposta a ampliar o diálogo e a cooperação com os Estados Unidos, administrar as divergências e fortalecer uma relação baseada na chamada "estabilidade estratégica", conceito defendido por Pequim desde os encontros entre os dois líderes.
As declarações refletem o esforço de Pequim para estabilizar a relação com Washington em um contexto de turbulências geopolíticas e de rivalidade crescente entre as duas potências.
Durante a visita de Trump à China, em maio, os dois países já haviam anunciado uma visão comum para uma relação bilateral “construtiva” e baseada na estabilidade estratégica, com o objetivo de aumentar a cooperação e controlar os pontos de atrito.
Nos últimos anos, Estados Unidos e China travaram uma intensa guerra comercial, marcada pela imposição de tarifas elevadas e diversas restrições econômicas. Os dois lados concordaram com uma trégua em outubro de 2025 , reforçada durante o encontro de maio deste ano, mas um acordo duradouro ainda não foi alcançado.
Apesar das tensões, as exportações chinesas para os Estados Unidos cresceram 34,4% em agosto na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados das autoridades aduaneiras chinesas.
Além do comércio, Washington e Pequim disputam a liderança em setores estratégicos, sobretudo tecnologia e inteligência artificial. A situação de Taiwan e a proximidade entre China e Irã também continuam sendo fontes de divergência entre os dois países.
Analistas não esperam avanços significativos nem choques diplomáticos durante o encontro desta semana. A avaliação predominante é que os dois líderes tentarão preservar o clima de diálogo. Como gesto diplomático e sinal de proximidade, Trump deve receber Xi Jinping pessoalmente na chegada aos EUA.
A visita integra uma intensa agenda internacional do líder chinês, que participou recentemente da cúpula da Organização para Cooperação de Xangai , no Quirguistão, visitou o Egito e esteve presente em uma reunião dos Brics na Índia.
Às vésperas do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, Estados Unidos e China iniciaram discussões para criar um canal de diálogo sobre inteligência artificial (IA) , tema que ganha relevância diante das preocupações com os riscos da tecnologia.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, reuniu-se neste domingo (20), em Nova York, com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng.
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