Eis o malandro de Chico Buarque na coluna outra vez, agora na pele e na ginga do ator e cantor Tiago Barbosa
Tiago Barbosa em cena como Max Overseas Navalha, personagem-título da 'Ópera do malandro' Mauro Ferreira / g1 ♫ PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR ♬ Eis o malandro na coluna outra vez.
Revi ontem à noite a “Ópera do malandro”, ora encenada com as cores vivas do diretor Jorge Farjalla.
Já tinha visto em 16 de agosto o exuberante espetáculo orquestrado por Farjalla a partir do texto que chegou à cena em 1978.
Mas aceitei de imediato o convite para rever o espetáculo em sessão em que o ator Tiago Barbosa encarnasse o protagonista Max Overseas Navalha, o malandro do título do musical escrito por Chico Buarque com inspiração no espetáculo “A ópera do três vinténs” (1928), criado pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898 – 1956) com música de Kurt Weill (1900 – 1950).
Na temporada carioca da “Ópera do malandro”, em cena no Teatro Multiplan até domingo, 30 de agosto, Tiago Barbosa se alterna com José Loreto no personagem-título.
Protagonista original da montagem, Loreto encarna o malandro com verve e carisma, conquistando a plateia de imediato.
Mas, como eu intuía, Tiago Barbosa apresenta interpretação do mesmo alto quilate.
Tiago tem ginga, tem graça, tem enfim o molho.
Com o diferencial de que canta muito bem, o que em nada me surpreendeu porque já o tinha visto em cena na pele de Milton Nascimento em musical sobre a vida do cantor de “Travessia”.
O canto de Tiago Barbosa em “Pedaço de mim” (Chico Buarque, 1978), já na parte final do espetáculo, tem intensidade e atinge em cheio o coração da plateia.
Contudo, na visão de Jorge Farjalla, a “Ópera do malandro” é, antes de tudo, um espetáculo extrovertido, exteriorizado, afro-brasileiro, com muita dança, cor e ponto de umbanda em cena.
Ator nascido em São João de Meriti, município da Baixada Fluminense (RJ), Tiago Barbosa surfa na onda de Farjalla, brincando em cena, no fio da navalha, sem jamais cair na caricatura do malandro carioca lapidado na Lapa, bairro boêmio do centro carioca.
O dueto de Tiago com o ator Amaury Lorenzo – intérprete clownesco do delegado Chaves, o Tigrão (ou Tigresa, para Max Overseas) – no samba “Doze anos” (Chico Buarque, 1978) é carregado de sentido homoerótico.
Enfim, ator projetado na Europa, onde atuou em musicais como “O rei leão” (como o protagonista Simba), “Rent” e “Wicked” (na pele de Fiyero), Tiago Barbosa é um sedutor Max Overseas Navalha.
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