Como a China se tornou uma potência petrolífera no mercado global
Quando a guerra do Irã eclodiu e Teerã decidiu pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, os preços internacionais de petróleo dispararam.
A situação fez com que o mundo olhasse diretamente para o país que mais importa petróleo no planeta: a China.
O país, que tem a maior demanda bruta de combustível e energia no mundo surpreendeu em sua gestão da crise.
Ao invés de aumentar e reforçar sua demanda, a China reduziu suas compras: importou 320,9 milhões de toneladas de petróleo bruto entre janeiro e agosto de 2026, uma queda de 14,6% em comparação com o mesmo período de 2025.
O que se revelou é que o país construiu um dos sistemas petrolíferos mais importantes do mundo sem produzir internamente todo o petróleo que consome.
Por meio de investimentos em reservas estratégicas, infraestrutura portuária, refinarias e diversificação de fornecedores, o país transformou a dependência de importações em uma estrutura de influência sobre o mercado internacional de energia.
Segundo estimativas estadunidenses, os estoques estratégicos e comerciais de petróleo da China chegaram a quase 1,4 bilhão de barris.
Ainda de acordo com o mesmo levantamento, a China tinha, em março, quatro vezes mais estoques de petróleo que os EUA.
Na verdade, a China possui mais estoque de petróleo que os outros 9 países do top 10 somados.
O caso chinês mostra que a força de uma potência petrolífera não depende apenas da quantidade de petróleo extraída de seu território.
Também depende da capacidade de comprar grandes volumes, armazená-los, transportá-los e transformá-los em combustíveis e matérias-primas industriais.
China produz petróleo, mas depende de importações A China possui uma indústria petrolífera doméstica relevante, com campos de produção em regiões como Daqing, no nordeste do país, e em áreas marítimas.
Ainda assim, a produção nacional está muito abaixo das necessidades de sua economia.
Em 2025, a produção chinesa de petróleo bruto atingiu aproximadamente 216,1 milhões de toneladas, alta de 1,5% em relação ao ano anterior, de acordo com o Departamento Nacional de Estatísticas da China.
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