Justiça proíbe grupo famoso por ET em MS de buscar “Ratanabá” em terra indígena
A Dakila Pesquisas, organização famosa em Corguinho, foi proibida pela Justiça Federal de realizar voos, pesquisas e incursões em uma terra indígena de Mato Grosso.
O grupo é investigado por atividades realizadas durante a busca por “Ratanabá”, suposta cidade perdida de milhões de anos que a entidade afirma existir na Amazônia.
Criada em Mato Grosso do Sul, a organização foi idealizada pelo controverso pesquisador Urandir Fernandes de Oliveira, conhecido nacionalmente como o “pai do ET Bilu” A decisão atende parcialmente a pedido do MPF (Ministério Público Federal), que acusa a Dakila Pesquisas de entrar na Terra Indígena Kayabi, na região de Apiacás (MT), fazer sobrevoos e realizar levantamentos sem as autorizações exigidas.
A ação tramita na 2ª Vara Federal Cível e Criminal de Sinop.
O caso começou após organizações indígenas denunciarem ao MPF, em janeiro de 2023, que integrantes da Dakila faziam sobrevoos e entradas no território desde maio de 2022.
Segundo as entidades, o grupo procurava a suposta cidade de Ratanabá em área considerada tradicional pelos povos indígenas.
Conforme a ação, a própria associação admitiu ter utilizado tecnologia por dois meses em 2022, com voos quase diários na região.
São equipamentos que teoricamente permitem mapear o relevo por meio de laser e revelar estruturas escondidas pela vegetação, para localizar estruturas arqueológicas de civilizações antigas.
Houve a apreensão de 11 câmeras de alta resolução que teriam sido instaladas sem autorização em locais considerados sagrados pelas comunidades indígenas.
Para o MPF, as incursões, os equipamentos e os sobrevoos afetaram povos Munduruku, Kayabi e Apiaká.
Resort e minérios O processo também registra que, em fevereiro de 2024, representantes da Dakila participaram de uma reunião em que foi mencionada uma proposta para construção de uma estrutura de ecoturismo dentro da Terra Indígena Kayabi, em área de uso do povo Apiaká.
O MPF também registrou que Urandir Fernandes tinha ao menos 18 processos em seu CPF para pesquisar ou explorar recursos minerais e era sócio de três empresas ligadas a areia, argila e mineração.
A partir disso, o procurador escreveu que essas informações “abrem espaço para a suspeita” de que as incursões na Terra Indígena Kayabi pudessem ter como objetivo explorar ilegalmente as terras indígenas.
Por causa dessa suspeita, o MPF pediu informações à ANM (Agência Nacional de Mineração) para saber se havia processo minerário dentro da TI Kayabi vinculado a Urandir, Juarez Fernandes, outros envolvidos ou às empresas relacionadas.
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