Usinas podem não lucrar como esperado com açúcar a US$ 0,21; entenda o alerta do gestor Werner Roger
A alta do açúcar no mercado internacional, com as cotações próximas de US$ 0,21 por libra-peso, pode não se traduzir integralmente em ganhos para as usinas brasileiras.
Ao mesmo tempo em que problemas climáticos ameaçam reduzir a oferta global, empresas que fixaram antecipadamente os preços de parte da produção podem deixar de capturar uma parcela da valorização da commodity, avalia Werner Roger , sócio-fundador e CIO da Trígono Capital .
O contrato de açúcar bruto com vencimento em março de 2027 recuava 0,62%, a US$ 0,2098 por libra-peso, por volta das 11h38 desta quarta-feira (14), na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), após ter se aproximado de US$ 0,21 no pregão anterior.
Em 7 de outubro, a commodity havia atingido máxima intradiária de US$ 0,2124 por libra-peso, o maior nível em 19 meses.
A situação da safra brasileira preocupa o analista, que aponta o excesso de chuvas como um dos principais fatores de risco.
A umidade elevada dificulta a entrada das máquinas no campo, atrasa a colheita e pode comprometer o aproveitamento da cana-de-açúcar.
“A situação vai piorando, porque continua muito úmido e as máquinas não conseguem colher”, afirma Roger.
Segundo ele, as perdas podem ir além da safra atual, já que a cana que permanece no campo pode não ser aproveitada adequadamente e também trazer consequências para o ciclo seguinte.
Werner Roger, CIO da Trígono Capital (Imagem: Reprodução) O analista menciona uma possível redução de aproximadamente 4,5 milhões de toneladas na produção de açúcar caso os problemas persistam.
O volume, porém, representa um cenário de risco levantado por Roger, e não uma estimativa consolidada para a safra.
Oferta global de açúcar também preocupa A perspectiva de menor produção brasileira ganha importância diante das dificuldades enfrentadas por outros grandes produtores.
Roger cita Índia e Tailândia como países que também apresentam problemas, o que pode limitar a capacidade de compensar uma eventual quebra no Brasil.
Na Europa, as condições climáticas também preocupam em razão dos possíveis efeitos sobre a produção de açúcar de beterraba.
Para o analista, as projeções que apontavam crescimento da produção global e aumento dos estoques podem precisar de revisão.
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