Promessas de Lula pressionam o Orçamento de 2027 e exigem ajuste de quase R$ 40 bi
As medidas e promessas anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha exigirão R$ 39,8 bilhões em ajustes no Orçamento de 2027 .
O impacto reúne R$ 33,55 bilhões em despesas e R$ 6,27 bilhões em perdas de arrecadação.
Entre as iniciativas estão o reajuste do Bolsa Família , o Desenrola 3.0 , a proibição das bets e um pacote para microempreendedores individuais ( MEIs ), com perdão de dívidas tributárias, aumento do limite de faturamento e um Pix de até R$ 5 mil — as três primeiras divulgadas no primeiro turno e a última, ontem (13).
Lula também prometeu ampliar o Pé-de-Meia para universitários.
Dessas medidas, apenas a ampliação do teto do MEI está prevista na proposta orçamentária enviada ao Congresso, mas ainda depende de aprovação legislativa.
As demais precisarão ser incorporadas ao texto, com cortes em outras despesas ou aumento de receitas para compensar o impacto.
Medida Impacto estimado em 2027 Efeito nas contas públicas Reajuste do Bolsa Família R$ 22,7 bilhões Aumento de despesas Desenrola 3.0 R$ 5 bilhões Aumento de despesas Pix para MEIs R$ 1,25 bilhão Aumento de despesas Pé-de-Meia para universitários R$ 4,6 bilhões Aumento de despesas Subtotal de despesas adicionais R$ 33,55 bilhões Proibição das bets R$ 5,15 bilhões Perda de arrecadação Perdão de dívidas R$ 1,123 bilhão Perda de arrecadação Subtotal de perdas de arrecadação R$ 6,273 bilhões Impacto adicional total R$ 39,8 bilhões * Fonte: Governo Federal e Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 *Considera apenas os R$ 5 bilhões do Desenrola previstos para 2027.
Gustavo Spínola, estrategista-chefe da Sincra, ressalta que parte das propostas ainda não está garantida.
Pode ser aprovada, rejeitada ou sequer votada pelo Congresso.
Ele diferencia esse cenário das medidas lançadas por Jair Bolsonaro em 2022, que começaram a valer antes das eleições.
Ainda assim, o estrategista identifica um padrão entre governos de diferentes orientações políticas que é a adoção de iniciativas que pressionam as contas públicas para ampliar o apoio eleitoral.
Sem discutir o mérito dos benefícios, ele avalia que o elevado endividamento brasileiro dificulta os investimentos e o desenvolvimento do país.
O ajuste caberá ao próximo presidente, seja Lula ou Flávio Bolsonaro , caso decida manter as iniciativas.
Segundo integrantes da equipe econômica ouvidos pela reportagem, o governo encaminhará os ajustes ao Congresso após a escolha do relator do Orçamento.
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