Flávio Bolsonaro empurra Dark Horse para pertinho das urnas
Isso é que é um presidenciável autossuficiente. Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Daniel Vorcaro, ele mesmo nega tudo ao ser descoberto, ele mesmo confirma o que negara após a explosão do áudio, ele mesmo promete prestar contas em 30 dias, ele mesmo se desobriga de prestar esclarecimentos quando os repórteres o questionam 90 dias depois: "Vocês vão parar no tempo?"
Enquanto o filho de Bolsonaro despistava — "É o Lula que tem que prestar contas" — o ministro do Supremo Flávio Dino abria à Polícia Federal as pistas recolhidas pela Polícia Civil paulista na produtora do filme Dark Horse.
Flávio Bolsonaro diz que Karina Gama, que produziu a cinebiografia do seu pai, já prestou contas. Refere-se a uma perícia anexada ao inquérito que corre em São Paulo. Contratados pela própria produtora, os peritos sustentam que o filme sobre Bolsonaro custou R$ 75 milhões — mais do que os R$ 61 milhões mordidos de Vorcaro. O diabo é que não foram exibidos recibos nem notas fiscais.
A apenas 40 dias do primeiro turno, candidato que mata o tempo comete suicídio. O filho do capitão demora a perceber. Mas político que se enrola nos detalhes normalmente se perde no essencial: perto da urna, todo fato consumado vira fato consumido. A demora no fornecimento de explicações empurra o Dark Horse para bem pertinho das urnas.
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