Dólar cai 1% a R$ 5,11 e Bolsa sobe 3%, com política e indústria no radar
O dólar é negociado em baixa ante o real nesta quarta-feira, a R$ 5,11, e o índice das ações mais negociadas Ibovespa tem alta firme, em sessão influenciada pelo fluxo positivo de recursos para o Brasil nesta semana, apesar do preço do petróleo, nas máximas em três meses, seguir provocando receio de mais inflação no mundo. No ambiente doméstico, expectativa de uma disputa mais acirrada nas eleições presidenciais também alimenta aplicações na renda variável, com participação de investidores locais e estrangeiros nas ordens de compra.
Dólar tem sessão de queda ante o real. No comercial para a venda, a moeda americana estava cotada nesta quarta-feira às 12h50 a R$ 5,103 variação de menos 1,04% ante fechamento de ontem.
No exterior, preço do petróleo continua alimentando aversão a risco. O contrato futuro do barril do tipo Brent, referência internacional da commodity, com entrega para dezembro cedia 0,3% às 10h10, cotado a US$ 94,23, ainda ao redor do maior preço desde o começo de junho. O comportamento é determinado por trocas de ataques do Irã e dos Estados Unidos na guerra no Oriente Médio, que dura mais de seis meses, impactando a produção e fornecimento de petróleo no Estreito de Hormuz , a região por onde passam mais de 20% do fornecimento mundial da principal fonte de energia da economia global.
Petróleo caro aumenta pressões de inflação que podem levar os bancos centrais pelo mundo a elevar juros. Esse cenário é negativo para crescimento de vendas e de lucros das empresas que têm ações no mercado. Por isso, Bolsas operam em queda nos principais mercados globais, de Wall Street e Europa à Ásia .
No ambiente doméstico, investidores reagem ainda aos dados da indústria, divulgados pelo IBGE hoje . Em julho de 2026, a produção industrial variou 0,2% frente a junho, interrompendo dois meses consecutivos de taxas negativas. Apesar da variação positiva no mês passado, todas as demais bases de comparação pioraram, nas variação em 12 meses, no acumulado em 2026 e na média móvel, com destaque negativo para bens de capital, com forte retração de 4,9% neste ano.
Política brasileira influencia agentes de mercado. Pesquisa de intenção de votos divulgada hoje mostrou redução da diferença entre o Presidente Lula, candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal nome da oposição. Também provocam reações no mercado as revelações sobre relações entre ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro . Para analistas, disputa mais acirrada favorece um ambiente de política fiscal mais conservadora ano que vem, abrindo espaço para maior queda de juros ano que vem.
A proposta do governo segue modelo desenvolvimentista, com bancos públicos impulsionando o crescimento econômico, com aposta em crédito subsidiado e renegociação de dívidas para aliviar as famílias e estimular o consumo. Já a plataforma da oposição adota abordagem mais voltada para o mercado e fiscalmente conservadora, argumentando que juros mais baixos devem resultar de disciplina fiscal, inflação controlada, redução da dívida pública e maior confiança dos investidores.
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