Flávio Bolsonaro pode ter Congresso a favor se vencer eleições — mas ajuste fiscal exige mais que apoio político, diz Genial
Uma possível vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, marcada para o dia 25 de outubro, pode abrir espaço para o tão esperado ajuste fiscal, na visão da Genial Investimentos .
A equipe de macroeconomia sustenta sua tese em três pilares com um Congresso mais favorável à aprovação de reformas, uma nova regra fiscal vinculada ao endividamento e a recuperação da credibilidade como caminho para reduzir os juros e estimular o investimento.
Na avaliação da casa, essa combinação permitiria uma melhora permanente do resultado primário — o saldo entre receitas e despesas, sem considerar os juros da dívida — de 1,5 ponto percentual do PIB em relação a um cenário de ajuste lento.
O esforço equivale a aproximadamente R$ 222 bilhões por ano , considerando o PIB nominal previsto no projeto de Orçamento de 2027 .
A expectativa dos analistas da Genial é que os benefícios comecem a aparecer antes mesmo de a dívida pública recuar.
Uma sinalização convincente de controle das contas poderia reduzir a remuneração adicional exigida pelos investidores para financiar o governo, fortalecer o real e aproximar as expectativas de inflação da meta.
Congresso abre caminho, mas apoio a Flavio Bolsonaro precisa virar reforma Segundo a Genial, um eventual governo de Flávio Bolsonaro começaria com condições de governabilidade mais favoráveis às enfrentadas por Jair Bolsonaro em 2019.
O grupo formado por PL, PP, União Brasil, Republicanos, Podemos e Novo reúne, nas contas do relatório, 286 deputados e 50 senadores.
Para aprovar mudanças constitucionais, ainda seriam necessários outros 22 votos na Câmara, enquanto o bloco já superaria o mínimo de 49 votos no Senado.
Com a adesão de outras legendas, a base poderia alcançar 388 deputados e 65 senadores, segundo estimativas da Arko Advice citadas pela Genial.
Esses apoios, porém, ainda dependeriam de articulação e formalização.
Essa composição abriria espaço para negociar mudanças nas despesas obrigatórias, nas vinculações do Orçamento, nas regras de pessoal e nos benefícios tributários.
“A governabilidade projetada oferece uma oportunidade rara de avançar em reformas dessa abrangência”, afirma a equipe.
Uma nova trava para os gastos Na simulação da Genial, a nova regra fiscal vincularia o crescimento das despesas ao nível da dívida pública.
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