Frete de petróleo dos EUA para China já custa mais do que lançar um foguete ao espaço
Para ter uma ideia de quão extraordinários se tornaram os custos de transporte de petróleo, considere o seguinte: hoje é mais caro fretar um navio-tanque dos Estados Unidos para a China do que lançar um foguete ao espaço.
Essa viagem custa cerca de US$ 80 milhões, em comparação com os US$ 74 milhões de um lançamento padrão do foguete Falcon 9, da SpaceX, informou a corretora marítima Gibson nesta semana.
Com esse mesmo valor, seria possível comprar à vista um navio-tanque quase idêntico no início deste ano.
Os preços exorbitantes são resultado de uma escassez global de petroleiros que piora a cada barril adicional de petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz.
Há semanas, o mercado de superpetroleiros vive um boom sem precedentes, segundo veteranos do setor.
A corretora SSY afirma que, mesmo descontada a inflação, as tarifas estão nos níveis mais altos desde que os primeiros superpetroleiros começaram a operar nos oceanos, nos anos 1960, superando inclusive as chamadas “guerras dos petroleiros” da década de 1980, quando Irã e Iraque atacavam embarcações comerciais no Golfo Pérsico.
“Realmente não há navios suficientes para atender toda a demanda”, afirmou Russell Hardy, diretor-presidente da Vitol Group, a maior trading independente de petróleo do mundo, durante uma conferência nesta semana.
“Os preços tiveram um comportamento praticamente parabólico.” A disparada representa um novo desafio para um mercado de petróleo que passou meses se adaptando à ruptura histórica provocada pela guerra envolvendo o Irã.
Custos mais elevados de transporte tornam o petróleo bruto mais caro para os compradores, reduzem as margens de refino e aumentam as pressões inflacionárias nos mercados de energia.
Leia também Inflação de setembro fura teto da meta e divide o mercado sobre os rumos da Selic Com a inflação acumulada batendo 4,58%, a piora nos núcleos e a resiliência dos serviços dividem o mercado entre a continuidade ou a pausa nos cortes de juros No centro desse boom está um problema simples: não há navios suficientes para transportar de forma eficiente todos os barris que precisam ser movimentados.
Produtores do Oriente Médio têm recorrido cada vez mais ao transbordo de petróleo em embarcações próximas ao Estreito de Ormuz, à medida que a guerra com o Irã remodela os fluxos comerciais da região.
Essas operações adicionam, em alguns casos, cerca de uma semana a cada viagem, reduzindo a disponibilidade efetiva da frota global.
O impacto aumentou com a recuperação do tráfego pelo estreito para aproximadamente 80% dos níveis registrados antes da guerra, segundo executivos do setor.
A natureza irregular desses fluxos comerciais agravou ainda mais a escassez.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.