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O homem que foi a encarnação da literatura e virou uma enciclopédia

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O homem que foi a encarnação da literatura e virou uma enciclopédia

“Meu Deus, esse sujeito precisa ser lido com uma enciclopédia do lado.” Essa foi a minha reação ao ler Jorge Luis Borges pela primeira vez, lá no início da faculdade, em meio à sensação de espanto e fascínio despertada pelos contos de O Aleph.

Não estava sozinho nessa.

Como descobri nas veredas que se bifurcam em sua obra (e naquilo que escreveram sobre ela), o autor argentino suspendeu fronteiras – literárias, históricas, culturais… -, implodiu o limite entre ficção e realidade e concebeu um mundo singular que se estende dos arrabaldes portenhos à biblioteca de Babel.

Um mundo habitado por gente de memória assustadoramente prodigiosa e novos autores do Dom Quixote.

Um mundo forjado à base de mitos, símbolos, citações e referências mil, autênticas ou inventadas, que nos condena a não saber mais onde termina a literatura e começa a vida – e vice-versa.

Se o sertão de Guimarães Rosa era o dicionário, o labirinto de Borges é a enciclopédia – do Aleph ao Zahir.

Daí o sonho de muitos leitores e estudiosos ter sido realizado com a publicação de Borges Babilônico , obra lançada pela Companhia das Letras que reúne mais de mil verbetes e 70 colaboradores e agora, nos 40 anos da morte do escritor, ganha versão revista e ampliada.

Continua após a publicidade Nesse trabalho titânico encabeçado pelo professor Jorge Schwartz , nome incontornável na pesquisa sobre a literatura latino-americana, o universo de Borges é destrinchado em ordem alfabética para dar conta da profusão de personagens, termos, autores, conceitos e episódios pessoais caros à biografia e à criação borgiana.

Borges Babilônico, organização de Jorge Schwartz, Companhia das Letras, 608 páginas Capa: Cia das Letras/Reprodução Um catatau de mais de 600 páginas que ajuda a trilhar os caminhos (por vezes, enigmáticos) de seus contos, poemas e ensaios, e que, como sugere o organizador, também pode ser lido de forma linear, de verbete em verbete, um convite a explorar e se perder no labirinto de Borges.

Continua após a publicidade Mas deixemos quem esteve à frente desta enciclopédia, alguém que teve o privilégio de estar lado a lado com Borges, nos falar sobre esse homem que, de certa forma, encarnou, ele mesmo, a literatura.

Com a palavra, Jorge Schwartz.

Borges com o professor Jorge Schwartz, da USP, em visita do autor argentino a São Paulo em 1984 Foto: Acervo pessoal/Reprodução Continua após a publicidade O que a obra de Jorge Luis Borges tem que nenhuma outra obra literária tem? Tem Borges! Muito diferente da literatura anterior e posterior a ele, especialmente a tradição literária argentina.

Um estilo de uma precisão inigualável, herdeira da sintaxe anglo-saxônica da avó paterna, Fanny Haslam.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.

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