Acordo entre Lula, Hugo e Alcolumbre depende das eleições, diz especialista
A solidez do acordo firmado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para colocar em votação o fim da taxa sobre compras internacionais de baixo valor — as chamadas “blusinhas” — depende, segundo especialistas, do resultado das próximas eleições.
A avaliação é do cientista político Rafael Cortez, cientista político e professor do IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), que concedeu entrevista ao Hora H .
Para Cortez, o rearranjo institucional observado entre os três líderes tem implicações que vão além dos interesses regionais de cada um, envolvendo também a garantia de permanência no comando do Congresso Nacional.
“Vai depender do resultado eleitoral”, afirmou o especialista, ao ser questionado sobre a perenidade do acordo.
Leia Mais Análise: Senado testa articulação de Lula por pacote eleitoral MP das blusinhas: Alcolumbre acena a Lula com Comissão Governo intensifica articulação para destravar sessão do Congresso Cenário pós-eleitoral define continuidade do acordo Rafael Cortez destacou que, caso Lula vença as eleições e avance para um novo mandato, com influência crescente sobre deputados e senadores, a tendência é que o acordo se mantenha .
Nesse cenário, segundo o analista, tanto Hugo Motta quanto Davi Alcolumbre teriam incentivos para preservar a aliança.
“Em Lula vencendo e, portanto, indo para um quarto mandato e tendo uma influência maior em deputados e senadores, isso ajudando a reeleição, tanto o Hugo Motta quanto o Davi Alcolumbre, a tendência é que esse acordo se mantenha”, disse Cortez.
Por outro lado, o especialista alertou que, em um cenário de derrota eleitoral, o jogo recomeçaria praticamente do zero.
“Caso contrário, é um jogo quase tudo do zero e aí eles vão recalcular a melhor rota num cenário em que Lula não se reeleja”, avaliou.
Cortez também ponderou que seria ambicioso demais imaginar a votação de pautas mais complexas, como a reforma da escala 6×1 — uma emenda constitucional que gera resistência em setores com influência sobre os legisladores —, embora já haja o início de tramitação.
Hugo Motta e Alcolumbre sinalizam favoritismo de Lula Questionado sobre se a aproximação entre os presidentes das Casas legislativas e Lula representaria uma chancela ao favoritismo eleitoral do petista , Cortez respondeu afirmativamente.
Segundo ele, Hugo Motta já havia dado sinais claros ao se colocar publicamente favorável à reeleição em entrevista.
“Acho que ali já dava sinais de que haveria, pelo menos, a possibilidade de um novo ambiente entre os poderes , dado que no primeiro semestre foi bastante tenso”, analisou o cientista político.
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