Análise: Putin tenta evitar “maldição de agosto” da Rússia em meio à guerra
Nas últimas décadas, o “Agosto Sombrio” — ou a “maldição de agosto” — tornou-se uma espécie de expressão jornalística abreviada na Rússia para crises dramáticas que parecem ocorrer nas últimas semanas do verão.
Sob certos aspectos, o Agosto Sombrio é o equivalente russo aproximado da silly season (a “temporada das notícias irrelevantes”) do jornalismo britânico — aquele período de calmaria no fim do verão em que manchetes triviais parecem dominar o noticiário, enquanto o Parlamento está em recesso e a família real tira férias ou anuncia retornos inesperados para casa.
No entanto, o termo popular russo é mais pessimista: uma análise da história recente do país parece corroborar a crença de que eventos dramáticos e imprevisíveis — os chamados “Cisnes Negros” — tendem a ocorrer justamente em agosto.
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Em agosto de 1998, uma crise financeira atingiu a Rússia, provocando o calote da dívida interna e o colapso do rublo.
Um ano depois, um grupo de militantes liderou uma incursão na república russa do Daguestão, no sul do país, dando início à Segunda Guerra da Chechênia — um conflito que alavancou para o alto escalão do poder uma figura política até então desconhecida: um ex-oficial da KGB chamado Vladimir Putin.
Putin assumiu a liderança da Rússia na véspera de Ano Novo de 1999, após uma transferência de poder inesperada realizada pelo presidente Boris Yeltsin.
Contudo, o novo líder de perfil linha-dura também não escapou da “maldição de agosto”.
Um dos seus primeiros grandes desafios no cargo foi o naufrágio do Kursk, um submarino nuclear que afundou levando consigo 118 marinheiros.
Além disso, em agosto de 2008, a Rússia entrou em guerra com a vizinha Geórgia, revelando a nova face beligerante da política externa de Putin.
O verão passado na Rússia também se configurou como uma temporada sombria para o país sob o comando de Putin.
O avanço das tropas russas nas disputadas linhas de frente na Ucrânia foi escasso; os céus sobre as cidades russas foram escurecidos por ataques ucranianos a refinarias de petróleo e centros de distribuição gigantescos ; e longas filas nos postos de combustível, somadas a rumores de uma nova onda de mobilização, têm gerado insatisfação entre os russos.
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