Cadu de Lula (PT) vence o segundo turno e é eleito governador do RN
Cadu de Lula vence segundo turno e é eleito governador do Rio Grande do Norte
Cadu de Lula, candidato pelo Partido dos Trabalhadores, conquistou a vitória na disputa pelo governo estadual do Rio Grande do Norte neste domingo, ao vencer o segundo turno contra o adversário Allyson Bezerra, da legenda União Brasil. Com a quase totalidade das seções apuradas, correspondendo a 99% das votações, Cadu obteve 50,70% dos votos válidos computados pelo Tribunal Superior Eleitoral, consolidando sua chegada ao palácio governamental. O candidato recebeu um total de 1.066.090 votos, enquanto seu concorrente acumulou 1.039.615 votos, uma margem de cerca de 26 mil votos de diferença. Larissa Rosado, filiada ao Partido Socialista Brasileiro, foi eleita vice-governadora ao integrar a chapa vitoriosa. A eleição também registrou 35.847 votos em branco, equivalendo a 1,61% do total válido, e 80.155 votos nulos, representando 3,60% das escolhas dos eleitores. Este resultado marca um momento decisivo para o estado, que passa a ter uma administração alinhada com as diretrizes do governo federal petista após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República.
Como transcorreu a competição pelo governo
A trajetória de Cadu de Lula até esta vitória começou há aproximadamente três semanas, quando o estado realizou o primeiro turno da eleição, ocorrido em 4 de outubro. Naquela oportunidade, o candidato recebeu 718.300 apoios populares, traduzindo-se em 36,16% dos votos válidos computados. Seu principal concorrente, Allyson Bezerra, conquistou a primeira posição com 733.809 votos, o que representava 36,94% das escolhas. A diferença entre eles foi modesta, de apenas 15.509 votos, indicando um cenário intensamente competitivo que demandaria uma segunda rodada de votação para definir o resultado final.
Durante toda a campanha pelo segundo turno, Cadu contou com o respaldo político de figuras importantes do cenário estadual e nacional. A governadora em exercício, Fátima Bezerra, apoiou sua candidatura, assim como o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O chefe do Executivo federal compareceu pessoalmente a um evento de campanha realizado em Natal no dia 10 de outubro, reforçando simbolicamente seu apoio ao candidato petista e buscando mobilizar os eleitores nordestinos em seu favor. Esta participação do presidente foi estratégica no sentido de ressaltar a importância da eleição para a continuidade de políticas federais no estado e para fortalecer a base petista no Nordeste, região historicamente essencial para a sustentação eleitoral do partido.
A dinâmica do segundo turno refletiu a polarização que se intensificou após a eliminação de Álvaro Dias no primeiro turno. Durante estas duas semanas de campanha acelerada, ambos os candidatos mobilizaram suas estruturas para conquistar o apoio dos eleitores que haviam votado no candidato liberal na primeira rodada. Este processo revelou uma competição acirrada pelas ruas do estado, com campanhas agressivas e grande volume de investimentos em propaganda, demonstrando o tamanho e a importância política desta disputa para as legendas envolvidas.
Perfil e trajetória de Cadu de Lula
Carlos Eduardo Xavier, conhecido publicamente como Cadu de Lula, tem 48 anos de idade e é originário do Estado do Rio de Janeiro, embora viva no Rio Grande do Norte desde seus primeiros anos de vida. Formou-se em Engenharia de Computação e aprofundou seus conhecimentos técnicos ao cursar mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, consolidando uma formação sólida em gestão e análise de sistemas. Sua carreira profissional foi marcada pelo exercício da função de auditor fiscal estadual, posição que ocupa desde 2005, demonstrando longa experiência no setor público e nas questões relacionadas à arrecadação e fiscalização tributária.
Além de sua atuação como auditor, Cadu ocupou posições estratégicas na administração estadual que o colocaram em contato direto com os principais desafios da gestão pública. Foi secretário de Tributação do Rio Grande do Norte e posteriormente assumiu a Secretaria da Fazenda estadual, um dos cargos mais importantes do governo responsável pela saúde fiscal e planejamento orçamentário da administração. Entre 2023 e 2025, ele presidiu o Comsefaz, sigla que designa o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal, uma instituição que reúne profissionais responsáveis pela gestão das finanças públicas estaduais em todo o país. Esta presidência evidencia o reconhecimento de seus pares sobre sua competência técnica e sua capacidade de liderança em temas complexos relacionados à tributação e finanças. Em março de 2026, deixou deliberadamente a Secretaria da Fazenda para dedicar-se integral e exclusivamente à campanha eleitoral pelo governo estadual. Importante notar que esta é a primeira vez que Cadu de Lula se coloca à disposição dos eleitores para ocupar um cargo eletivo, mesmo tendo ampla experiência em cargos de nomeação e gestão pública, o que o caracteriza como um outsider político que chega ao poder com background tecnocrático.
O contexto único da disputa no Rio Grande do Norte
O estado do Rio Grande do Norte tornou-se um caso singular dentro do contexto das eleições governamentais realizadas em 2026 no Nordeste brasileiro. Foi o único estado da região onde nenhum candidato conseguiu acumular votos suficientes no primeiro turno para vencer a eleição de forma imediata, tornando necessária a realização de um segundo turno. Esta circunstância criou uma dinâmica política diferenciada em relação aos demais estados nordestinos, onde o vencedor foi definido logo na primeira oportunidade de votação, evidenciando uma particularidade eleitoral do Rio Grande do Norte.
No primeiro turno, para além dos dois candidatos que avançaram, houve um terceiro contendor que recebeu apoio considerável do eleitorado. Álvaro Dias, ex-prefeito de Natal e candidato pela legenda do Partido Liberal, conquistou 530.580 votos, equivalentes a 26,71% dos votos válidos, ficando em terceira posição e não obtendo a chance de participar do segundo turno. Sua eliminação consolidou a bipolarização entre Cadu de Lula e Allyson Bezerra, reduzindo a complexidade da disputa e permitindo que os eleitores fizessem uma escolha mais direta entre duas propostas políticas. Este cenário de três candidatos competitivos no primeiro turno refletiu a fragmentação política que caracteriza muitos estados nordestinos, onde diferentes matrizes ideológicas e políticas disputam o mesmo espaço eleitoral. A presença de um terceiro candidato competitivo indicava um eleitorado que não estava completamente consolidado em torno de apenas duas opções, exigindo, portanto, a segunda votação para determinar com clareza qual seria a vontade majoritária dos potiguares.
O que acompanhar nos próximos passos
A eleição de Cadu de Lula inaugura um novo capítulo na administração do Rio Grande do Norte, com a transição esperada para início de 2027. Será relevante observar como o novo governador conduzirá as políticas estaduais, particularmente considerando sua formação técnica em áreas como tributação e finanças públicas. Sua experiência prévia à frente da Secretaria da Fazenda pode indicar prioridades relacionadas à gestão fiscal e ao equilíbrio das contas estaduais, potencialmente reorientando os gastos públicos estaduais em direção a maior eficiência e transparência.
Além disso, merece atenção o papel que Larissa Rosado, a vice-governadora eleita, exercerá durante a administração. Como integrante do Partido Socialista Brasileiro, sua presença na chapa representa uma coligação política que pode influenciar decisões governamentais. A dinâmica entre o governador petista e a vice-governadora do PSB será um aspecto importante a ser monitorado durante os próximos anos, especialmente no que tange à divisão de funções e responsabilidades administrativas. Esta configuração de coligação reflete o pluralismo político que caracteriza as administrações estaduais brasileiras, onde frequentemente é necessário construir alianças entre diferentes legendas para viabilizar a governança.
Igualmente significativo será o relacionamento que Cadu de Lula manterá com o governo federal, já que recebeu respaldo direto do presidente Lula durante a campanha. Este alinhamento político pode abrir caminhos para a obtenção de recursos federais destinados a programas de desenvolvimento, obras de infraestrutura e políticas sociais que impactem o estado, criando possíveis beneficiários entre a população potiguense. O Rio Grande do Norte, como estado integrante do Nordeste, possui características económicas e sociais que demandam investimentos substanciais em educação, saúde, infraestrutura e desenvolvimento econômico, áreas onde o apoio federal torna-se fundamental para a viabilidade das políticas estaduais.
Principais pontos:
• Cadu de Lula (PT) venceu o segundo turno com 50,70% dos votos válidos contra Allyson Bezerra (União Brasil)
• O candidato eleito nunca havia disputado cargo eletivo antes, apesar de vasta experiência em gestão pública estadual
• Rio Grande do Norte foi o único estado do Nordeste que necessitou segundo turno para definir seu governador em 2026
• Larissa Rosado (PSB) foi eleita vice-governadora na chapa vitoriosa
Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de G1 Rio Grande do Norte — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Rio Grande do Norte.