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As chaves da reeleição histórica de Lula no Brasil

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As chaves da reeleição histórica de Lula no Brasil

Contrariando o histórico eleitoral brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito no domingo (25), no segundo turno, após perder a primeira votação para o candidato da oposição conservadora, o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Com um crescimento de mais de 10,3 milhões de votos entre os dois turnos, Lula se tornou o primeiro candidato a reverter uma derrota no primeiro turno de uma eleição presidencial no Brasil e o primeiro presidente eleito para um quarto mandato.

Na ressaca do primeiro turno, nenhuma pesquisa apontava Lula, prestes a completar 81 anos, como favorito. Ele conquistou quase 52% dos votos graças à mobilização da esquerda, que conseguiu, além de reduzir a abstenção e os votos brancos e nulos, virar votos em cerca de 200 cidades.

Após a derrota no primeiro turno, enquanto a campanha de Lula ainda tentava assimilar o resultado inédito, multidões foram às ruas em todo o Brasil, convocadas principalmente por movimentos estudantis e juvenis.

Sob palavras de ordem como "Bolsonaro nunca mais" e "pela democracia", milhares de pessoas lotaram as ruas para apoiar Lula e suas políticas sociais.

"A mobilização da juventude foi fundamental, o PT conseguiu se reconectar com esse público que parecia dominado pelo bolsonarismo", disse à AFP Eduardo Grin, cientista político da Fundação Getulio Vargas.

O próprio Lula afirmou que não via algo semelhante desde o movimento das Diretas Já, contra a ditadura militar, em 1984, quando enormes manifestações exigiram eleições diretas.

Lula reconheceu que a campanha para o primeiro turno foi a mais "desorganizada" em décadas e reformulou sua estratégia digital para o segundo turno.

Desde então, aproximou-se de jovens políticos influenciadores digitais, passou a usar um celular pela primeira vez e se proclamou "rei da selfie" ao estrear nesse formato.

Paralelamente, a esquerda passou a disputar espaço nas redes sociais, até então dominadas pela direita no Brasil, um dos países com mais usuários de internet no mundo.

"Muitos eleitores de esquerda passaram horas e horas por dia apenas postando" conteúdos de apoio a Lula ou contrários a Flávio Bolsonaro, disse à AFP o cientista político e pesquisador Oliver Stuenkel.

"É extremamente cansativo essa atividade toda nas redes sociais. Fora do meu horário de trabalho eu me dediquei muito, com plena consciência de que eu tinha que estar ali trabalhando pro Lula", disse à AFP Taiza Mendonça, publicitária de 36 anos, do Rio de Janeiro, que afirmou ter visto suas "tias de 60 anos" aprenderem a linguagem das redes sociais.

Segundo Grin, "a mobilização nas ruas e nas redes conseguiu criar medo a um retorno da família Bolsonaro ao poder e uma preocupação com a democracia e os direitos sociais".

Flávio Bolsonaro, de 45 anos, foi escolhido como candidato por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por uma tentativa de golpe de Estado após perder as eleições para Lula em 2022.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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