Marinho diz que governo fez sua parte por fim da 6x1 e vê risco de assunto perder força após eleições
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O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirma que o governo do presidente Lula (PT) fez sua parte para o projeto de lei que acaba com a escala 6x1 avançar no Senado, mas vê risco de a proposta "dormir na gaveta" se não for aprovada neste ano.
Em entrevista à Folha , Marinho acusa o Senado de não ter interesse no tema e diz que faltou mobilização de sindicatos e trabalhadores para outros projetos do governo deslancharem, como a regulamentação do trabalho por aplicativo.
"Por que os trabalhadores não se mobilizaram? Se as centrais não conseguiram organizar um processo de pressão suficiente, não é responsabilidade do governo sozinho", diz. "[Se a sociedade não se mobilizar], [o projeto da 6x1] fica lá, dormindo nas gavetas."
Marinho também critica a visão fiscal da equipe econômica do governo, com quem já teve embates ao longo deste mandato por divergências na revisão de gastos, em benefícios como abono salarial.
Ele diz que o centro da meta de inflação, definida em 3% ao ano pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), foi "excessivamente ambicioso". Os ministros da Fazenda e do Planejamento e o presidente do Banco Central compõem o órgão.
"Eu não posso estabelecer uma meta que, para chegar nela, tenho que botar o juros lá nas alturas. Evidentemente que os meus colegas da área econômica não vão concordar com isso, mas eu tenho o direito de dizer a minha leitura", afirmou.
Para o ministro, um quarto mandato de Lula avançaria em propostas que empacaram neste ano, como a regulamentação do trabalho por aplicativo. Ele reafirma que o presidente vai manter o ganho real para o salário mínimo, em caso de reeleição.
Hoje, o salário mínimo tem reajuste pela inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), acrescido de ganho real limitado ao teto do arcabouço, de 2,5%. No entanto, a equipe econômica do governo avalia reduzir esse índice para 1,5%, o que poderia restringir o espaço para o crescimento.
"Não existe contradição em falar em responsabilidade fiscal e falar de política de valorização do salário mínimo", diz. "Eu diria que nós fomos [responsáveis] em excesso, porque do jeito que nós assumimos em 2023, caberia um debate mais alargado de quando chegar ao chamado déficit zero. Eu faria para oito, dez anos, e não para 12 meses, como foi feito."
Outra bandeira trabalhista da gestão é a pauta do fim da escala 6x1. O presidente Alcolumbre (União-AP) assinou na última terça-feira (18) o despacho encaminhando a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre o tema para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). O governo trabalha para votar a proposta na primeira semana de setembro.
Marinho se opõe a medidas de compensação para as empresas, defendida pelas entidades que serão mais afetadas pelas mudanças na jornada de trabalho. Há um esforço do setor produtivo para incluir a compensação no texto do Senado, mas o governo vai tentar evitar.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Mercado.