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Ciência

Bancos brasileiros de rodolitos, algas calcárias que parecem pedras, abrigam até 1% da vida marinha global

Galileu ·
Bancos brasileiros de rodolitos, algas calcárias que parecem pedras, abrigam até 1% da vida marinha global

Quem encontra um rodolito na praia ou no fundo do mar pode pensar que se trata apenas de um pedaço de rocha sem vida – nada mais distante da verdade.

Essas estruturas duras e rosadas são formadas por algas calcárias vivas aglomeradas, que servem de abrigo e berçário para muitas espécies oceânicas.

De acordo com um novo estudo publicado na revista Biological Conservation, em apenas dois bancos de rodolitos no Brasil é possível encontrar de 0,2% a 1% de toda a diversidade marinha conhecida mundialmente.

Os autores estudaram o Banco dos Abrolhos, na Bahia – que detém a maior área recoberta por rodolitos do mundo, com cerca de 20 mil km² –, e a Ilha da Queimada Grande, em São Paulo, onde o banco possui apenas 1 km².

A partir da análise de materiais coletados no mar, foram identificadas mais de 450 espécies de algas e invertebrados habitando a superfície e o interior dessas “pedras vivas”.

“Considerando que são conhecidas cerca de 200 mil espécies marinhas no mundo, as 450 identificadas nesses dois bancos de rodolitos representam 0,2% de toda essa biodiversidade”, comenta Pedro Longo, primeiro autor do trabalho, realizado como parte de seu pós-doutorado no Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (IMar-Unifesp), com bolsa da FAPESP.

Mas o número de espécies presentes nos dois bancos de rodolitos pode ser ainda maior.

Parte dos nódulos coletados foi triturada e o material resultante submetido à técnica de metabarcoding.

Esse método de análise molecular extrai o DNA de todos os organismos presentes na amostra simultaneamente.

Ao sequenciar pequenos trechos desse material genético e compará-los com bancos de dados globais, a técnica funciona como um “leitor de código de barras” biológico: os cientistas conseguem identificar cada espécie que compõe a mistura, revelando formas microscópicas, larvas ou pequenos animais que ficam escondidos no interior da rocha e que passariam despercebidos nas análises visuais tradicionais.

Com a aplicação da técnica, os pesquisadores identificaram 1.837 “assinaturas genéticas” únicas – chamadas tecnicamente de ESVs.

O problema é que nem todas puderam ser associadas a uma espécie conhecida.

Isso ocorre porque o DNA de muitos desses organismos ainda não está catalogado nos bancos de dados públicos, impedindo que os cientistas façam o cruzamento de informações para nomeá-los.

No cenário menos conservador, em que cada uma dessas 1.837 ESVs seria uma espécie, as estimativas indicam que essas duas áreas podem abrigar até 1% da biodiversidade marinha global conhecida.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.

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