Flávio Bolsonaro quer entregar Brasil a Cristo
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Num desafio à lógica, às instituições e à própria higidez das religiões, Flávio Bolsonaro ameaçou: "Eu quero debater com quem não acredita em Deus , porque, quando eu for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do senhor Jesus Cristo".
O segundo problema é que o tal decreto, que já tem algo de etéreo, pois não deixa claro o que significaria para o país "ser" de Cristo, carregaria vício constitucional insanável . André Mendonça até poderia concordar com Flávio, mas quero crer que o hipotético diploma seria rapidamente anulado pelo STF . O artigo 19 da Carta veda ao poder público "estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança". Flávio é advogado. Imagina-se que foi aprovado em direito constitucional.
O terceiro problema é que a tentativa de Flávio de aproximar-se dos evangélicos revela abissal ignorância sobre a história das religiões. O princípio da laicidade estatal que ele se propõe a subverter surgiu para proteger as religiões, não enfraquecê-las. Determinar que o Estado permanecesse neutro em matéria religiosa e assegurasse a liberdade de culto a todos foi a solução que a Europa encontrou para conter as guerras entre católicos e protestantes, dos quais os evangélicos são herdeiros. Ateus, que por definição não cultuamos nenhum deus, não temos maior interesse na liberdade de culto. Basta-nos não ser obrigados a seguir uma religião.
Louve-se em Flávio sua capacidade de, com uma única declaração, escancarar tantas camadas de seu despreparo para o cargo de presidente da República.
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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.