Excesso de exercício físico pode afetar química do cérebro e aumentar 'cansaço mental', mostra estudo
Excesso de exercício físico pode ser prejudicial Tima Miroshnichenko/Pexels O excesso de exercícios físicos pode alterar a regulação química do cérebro e manter elevados os níveis de dopamina mesmo durante o período de descanso.
Isso é o que mostra um estudo de pesquisadores brasileiros publicado na revista científica "Neuroscience". ➡️A dopamina é um importante neurotransmissor liberado pelo cérebro que dá a sensação de prazer e satisfação.
Ela também é essencial para a manutenção do estado de alerta.
Os experimentos foram realizados com camundongos submetidos a diferentes protocolos de atividade física.
Os cientistas observaram que, nos animais expostos a semanas de treinamento intenso, os níveis de dopamina e da enzima tirosina hidroxilase, responsável pela produção desse neurotransmissor, continuavam elevados 48 horas após um teste de desempenho.
VEJA TAMBÉM: Agora no g1 Alisson Luiz da Rocha, pesquisador de pós-doutorado na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, e primeiro autor do estudo, afirma que os resultados também chamaram a atenção do grupo pela região do cérebro em que aconteceram as alterações, o hipocampo. ➡️Essa região cerebral é associada à memória e às emoções, e não a sistemas diretamente ligados ao movimento.
"Mostramos que, em camundongos, o excesso de treino altera os níveis de dopamina no hipocampo, uma região do cérebro associada à memória, às emoções e à resposta ao estresse.
Esperávamos encontrar mudanças na serotonina, que há décadas é apontada como a principal responsável pela fadiga central, mas ela praticamente não mudou", analisa Rocha, em entrevista ao g1.
Segundo os pesquisadores, o problema não está na substância em si, mas em possíveis desequilíbrios na sua regulação, especialmente quando seus níveis permanecem elevados em momentos em que o organismo deveria estar em repouso.
Os resultados podem ajudar a investigar os mecanismos cerebrais envolvidos na síndrome de overtraining, condição associada ao excesso de treinamento e caracterizada por perda de desempenho, fadiga crônica, dores musculares e aumento do risco de lesões.
A relação entre as alterações químicas observadas e sintomas como ansiedade e distúrbios do sono, no entanto, ainda precisa ser investigada.
O estudo não avaliou diretamente esses sintomas nos animais nem demonstrou que o mesmo mecanismo ocorre em seres humanos.
Como o estudo foi realizado Os pesquisadores dividiram os camundongos em dois grupos principais.
O primeiro foi submetido a um teste de esforço agudo, correndo em uma esteira até a exaustão.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1.