STF torna Bacellar e TH Joias réus por obstruir investigação contra CV
A Primeira Turma do STF decidiu, por unanimidade, receber a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra Rodrigo Bacellar (União), ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). Ele é acusado de usar o cargo para atrapalhar investigações contra o Comando Vermelho.
Placar ficou em 4 a 0 pelo recebimento da denúncia . O relator do caso, Alexandre de Moraes, votou pela abertura de ação penal contra Bacellar, sendo seguido por Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Com o resultado, o ex-presidente da Alerj se torna réu pelo crime de obstrução de investigação contra organização criminosa armada.
Bacellar está preso desde março . Ele é suspeito de vazar informações sigilosas de operação policial contra o ex-deputado TH Joias (MDB), acusado de tráfico e associação ao CV, e orientá-lo a destruir provas.
Primeira Turma também aceitou denúncia contra o ex-deputado estadual TH Joias e o desembargador do TRF-2 Macário Ramos Júdice Neto. O STF ainda tornou réus Jéssica de Oliveira Santos , mulher de TH Joias, e Thárcio Nascimento Salgado, que foi assessor do ex-deputado.
Bacellar e TH são acusados de usar seus cargos para atrapalhar investigações . De acordo com a PGR, os réus agiram de forma coordenada para impedir o cumprimento de ordens judiciais na Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025 para desarticular esquemas de tráfico internacional de armas e drogas e de lavagem de dinheiro vinculados ao CV.
Segundo a PGR, êxito da operação foi comprometido após os então deputados trocarem informações . As investigações apontam ainda que o desembargador Macário Júdice Neto, então relator do caso no TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), teria violado o sigilo funcional ao repassar informações sobre medidas cautelares sigilosas a Rodrigo Bacellar, seu amigo íntimo, num jantar na véspera da operação.
Bacellar, por sua vez, segundo a PGR, alertou TH Joias, apontado como operador de lavagem de dinheiro e braço político da facção . Câmeras de segurança do condomínio de TH Joias registraram uma movimentação atípica e o esvaziamento de sua residência na noite de 2 de setembro de 2025, véspera da operação, com o auxílio direto de sua esposa, Jéssica. Ao mesmo tempo, computadores e mídias eletrônicas foram retirados de seu gabinete na Alerj.
Moraes afirma que o grupo agiu "em conluio" para repassar informações sigilosas e atrapalhar a investigação. Com a decisão da Primeira Turma, uma ação penal é aberta e os envolvidos devem ser julgados.
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