BrasilAgro (AGRO3): O ‘principal detrator’ da ação, o erro do mercado e a companhia daqui a 10 anos, segundo o CEO
O que o mercado ainda não enxerga corretamente na BrasilAgro (AGRO3) ? Para André Guillaumon, CEO da companhia, a resposta passa menos pelo potencial produtivo das fazendas e mais pela dificuldade dos investidores em colocar preço em uma das características centrais do modelo de negócios: a capacidade de transformar terras em dinheiro .
Em entrevista ao Money Times , Guillaumon apontou justamente essa dificuldade como um dos fatores que pesam sobre a precificação das ações.
“Eu acho que o principal detrator do preço da ação é não saber precificar bem a liquidez e a rotatividade dos nossos ativos.”
A avaliação está diretamente relacionada à estratégia da BrasilAgro. Além da produção agrícola, a companhia busca adquirir propriedades com potencial de valorização, desenvolvê-las e vendê-las conforme os ativos atingem maior maturidade ou se aparece uma proposta capaz de antecipar o retorno esperado.
Para o CEO, é justamente essa liquidez e capacidade de monetização das terras que o mercado ainda tem dificuldade de incorporar adequadamente ao valor da empresa. E, olhando para a próxima década, Guillaumon espera que essa busca por geração de valor se torne ainda mais ativa.
A terra continuará no centro da estratégia da BrasilAgro, mas a companhia que Guillaumon imagina daqui a dez anos deverá depender cada vez menos de uma postura passiva diante da valorização dos ativos. Isso porque o valor de uma propriedade está diretamente relacionado àquilo que ela é capaz de gerar.
“Como eu vejo a BrasilAgro dos próximos 10 anos? Eu vejo cada vez mais uma empresa que busca aperfeiçoar sua receita, porque essa valorização imobiliária é um múltiplo do que a terra gera. Nos próximos 10 anos, essa busca será muito mais ativa que passiva, e nós estamos nos preparando para isso.”
Essa preparação passa por pessoas, processos e tecnologia . Pouco antes da entrevista, segundo o executivo, a administração discutia o desenvolvimento de um data lake (um repositório projetado para armazenar grandes volumes de dados) da BrasilAgro, além de iniciativas envolvendo telemetria e gestão de informações.
O objetivo não é apenas modernizar as fazendas, mas utilizar os dados para melhorar a tomada de decisão, elevar a produtividade e, consequentemente, aumentar a rentabilidade dos ativos.
A mudança também reflete uma visão de Guillaumon sobre o próprio futuro do agronegócio. Nas últimas décadas, a forte apreciação das terras permitiu que parte dos produtores capturasse valor mesmo sem apresentar os maiores níveis de eficiência. Para os próximos anos, o executivo acredita que essa conta será diferente.
“No passado, até mesmo aquele agricultor porco ganhou dinheiro de qualquer jeito apreciando o ativo, porque a terra subiu. Vai ganhar dinheiro de novo com terra aquele produtor capaz de subir seus yields produtivos, subir a rentabilidade da terra.”
A expectativa, portanto, não é de que a valorização imobiliária desapareça.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.moneytimes.com.br — o conteúdo pertence a Money Times.