Violência contra a mulher vai além da polícia: o que cobrar do seu candidato
Por Mariana Rosetti, da Ponte Jornalismo * “Acordei de repente com um forte estampido dentro do quarto.
Abri os olhos.
Não vi ninguém.
Tentei mexer-me, mas não consegui.
Imediatamente fechei os olhos e um só pensamento me ocorreu: ‘Meu Deus, o Marco me matou com um tiro”.
O relato integra as páginas de “Sobrevivi… posso contar” , livro publicado em 1994 por Maria da Penha, que anos depois daria nome à principal lei brasileira de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres.
O autor do pesadelo narrado é o economista colombiano Marco Antônio Heredia Viveros.
Os dois se conheceram em 1974, enquanto Penha cursava o mestrado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), e se casaram dois anos depois, indo morar em Fortaleza (CE).
Em 1983, Penha sobreviveu à primeira tentativa de homicídio cometida por Marco, quando ficou paraplégica.
Ao retornar do hospital, uma nova tentativa.
Dessa vez, Marco tentou eletrocutá-la durante o banho, após mantê-la em cárcere privado por dias.
Maria da Penha durante a 18ª edição da Jornada Lei Maria da Penha, em Brasília (Foto: José Cruz/Agência Brasil).
Ele foi condenado pela primeira vez em 1991, mas a sentença foi anulada.
Após um novo julgamento, foi condenado novamente e preso em 2002, cerca de 19 anos após a tentativa de homicídio.
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