Falta de articulação do governo estadual expõe filas por consultas e exames no SUS em MG
Para quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS), conseguir uma consulta com um médico especialista ou realizar um exame de maior complexidade pode significar meses de espera. Em Minas Gerais, o problema é agravado pela ausência de um sistema estadual que reúna e permita dimensionar a fila de consultas e exames especializados em todo o território. A organização da espera é atribuída aos municípios, enquanto a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) não dispõe de uma base consolidada que permita visualizar o tamanho desse gargalo.
A falta de uma fila estadual unificada também dificulta a elaboração de políticas capazes de enfrentar o problema de forma regionalizada. Para o pesquisador da Fiocruz Minas e especialista em políticas públicas de gestão governamental Fausto dos Santos, a demora é resultado da combinação entre a concentração de profissionais e serviços nas grandes cidades e dificuldades na gestão das filas e dos sistemas de regulação.
“Temos uma concentração de profissionais especializados e dos serviços nas grandes cidades. E temos uma dificuldade na gestão das filas”, afirma.
Um levantamento realizado por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) ajuda a dimensionar a demora. No Brasil, o tempo médio para conseguir uma consulta na rede pública foi de 57 dias. Em Minas Gerais, a espera média informada para algumas especialidades foi de 46 dias para cardiologia, 78 para nefrologia, 90 para oftalmologia, 101 para otorrinolaringologia, 102 para ortopedia e 234 dias para cirurgia pediátrica.
Os números, no entanto, podem não representar toda a dimensão do problema. As informações que alimentam a base do Ministério da Saúde dependem do envio de dados pelas redes estaduais e municipais, e o repasse nem sempre ocorre de forma completa.
A descentralização da gestão faz com que Minas Gerais tenha diferentes filas de espera, organizadas pelas centrais de regulação municipais. Segundo Fausto dos Santos, essa pulverização dificulta inclusive o acesso de municípios menores aos chamados municípios-polo, que concentram serviços especializados.
“O fato de o estado não possuir um sistema que coordene todas as consultas especializadas e exames, sendo estes pulverizados nas centrais de regulação municipais, dificulta ou até impede que os municípios que não possuem essas centrais acessem os serviços especializados”, explica.
De setembro de 2025 a agosto de 2026, 59% dos pedidos de exames e consultas especializadas foram de residentes da capital e 41% de outros municípios.
Na prática, o estado convive com filas distintas em cidades como Belo Horizonte, Juiz de Fora e Uberlândia. Para o pesquisador, a ausência de uma coordenação estadual produz desigualdades no acesso, já que moradores de municípios menores dependem da estrutura disponível nas cidades-polo.
“Sem essa fila coordenada, os usuários dos municípios menores que dependem dos municípios polo não conseguem ter o mesmo nível de acesso que os moradores dessas cidades maiores”, afirma.
A concentração dos serviços também impõe outro obstáculo, o deslocamento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.brasildefato.com.br — o conteúdo pertence a Brasil de Fato.