MPF dá 48 horas para Prefeitura de Tacuru explicar ameaças a indígenas
O MPF (Ministério Público Federal) deu prazo de 48 horas para a Prefeitura de Tacuru, a 420 quilômetros de Campo Grande, prestar esclarecimentos sobre áudios em que servidores municipais sugerem envenenar a água consumida por indígenas.
A medida foi adotada após a repercussão das gravações, divulgadas depois do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, e integra uma investigação sobre denúncias de ameaças e intimidações contra comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul.
Além de pedir informações sobre a apuração da autoria e da autenticidade dos áudios, o órgão quer saber quais medidas foram adotadas para garantir a segurança dos indígenas e a continuidade dos serviços públicos prestados às comunidades.
O MPF também recomendou que, caso sejam identificados indícios consistentes de envolvimento de servidores municipais, a prefeitura abra um PAD (Processo Administrativo Disciplinar) e determine o afastamento cautelar dos investigados.
A investigação em Tacuru está sob responsabilidade do 6º Ofício da Procuradoria da República em Dourados.
O caso ganhou repercussão após a circulação de mensagens de voz em que dois homens conversam sobre a atuação do poder público junto aos indígenas e um deles sugere colocar veneno na água para matar integrantes das comunidades.
Nos áudios, o servidor público diz: “Você ‘tá’ doida, rapaz.
Quem ajuda essas pragas do caralho aí? Um buraco que tampa com carriola, eles ficam incomodando nós com caçamba, e vai lá mexer e ajeita.
E essas pragas do demônio, vai fazer o quê? A gente não pode fazer nada.
Já falei, tem que ‘ponhar’ veneno na água.
Matar essas pragas na água”, finaliza a mensagem de voz.
Ao Campo Grande News , o prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti (PSDB), confirmou anteriormente que os dois homens são servidores municipais, lotados nas secretarias de Meio Ambiente e de Infraestrutura.
Na ocasião, ele afirmou que havia chamado a atenção dos funcionários e atribuiu as declarações ao consumo de álcool.
Posteriormente, anunciou a abertura de processo administrativo e o afastamento de um dos envolvidos.
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