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Gasto militar do Brasil desafia promessas de candidatos

Folha de S.Paulo ·
Gasto militar do Brasil desafia promessas de candidatos

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O gasto do Brasil com defesa , tema eleito pelo presidente Lula como uma das prioridades de sua campanha à reeleição, desafia com sua estrutura engessada as promessas de investimento feitas pelo petista e por seus rivais.

Em 2025, o governo gastou R$ 133,3 bilhões em defesa, 77,7% do valor com pessoal ativo e inativo. Outros 14,05% foram aplicados no custeio, ou seja, os gastos do cotidiano. Já os programas militares em si ficaram com apenas 8,25% do total.

A taxa de investimento melhorou sob Lula . Em 2022, último ano do governo de Jair Bolsonaro ( PL ), ela havia ficado 6,7%, e vem crescendo aos poucos, chegando a 11% em 2025. Continua distante dos 20% preconizados pela aliança militar Otan, o padrão-ouro do tema no Ocidente.

Os números são do sistema de acompanhamento de gastos federais do Senado, que incluem tanto valores pagos a partir da autorização orçamentária quanto os restos a pagar de outros anos.

O dispêndio total equivale a cerca de 1% do PIB, metade da inalcançável meta do Ministério da Defesa e distante dos 3,93% em média dos 32 membros da Otan neste ano.

O melhor momento dos investimentos no pós-democratização foi em 2019, quando fez efeito a manobra usada pelo governo Michel Temer ( MDB ) para custear o programa de fragatas da Marinha com a capitalização de uma estatal ligada à Força, retirando o valor do teto de gastos então vigente.

Naquele ano, 14% do orçamento foi para programas, mas metade disso era relativa aos novos navios, 3 dos 4 encomendados já entregues em cinco anos de desembolsos, um desempenho raro.

A gambiarra foi uma demonstração de vontade política que não se repetiu, não menos pela penúria fiscal que atinge todo o governo. Abundam relatos de falta de dinheiro para quase tudo nas Forças Armadas : aviões da Força Aérea não voam, expedientes são reduzidos para economizar refeições.

O ministro da Defesa, José Múcio, tentou uma solução parecida com a de Temer ao conseguir ver aprovada, sem ajuda do Planalto, uma lei separando R$ 30 bilhões em seis anos para programas estratégicos. Lula a incorporou a seu programa de governo enviado ao Tribunal Superior Eleitoral como uma prova de seu interesse.

Na prática, contudo, nenhum centavo foi liberado, apesar do pedido do ministro para que ao menos metade dos R$ 5 bilhões de 2026 fosse liberada. A Defesa foi a pasta mais afetada no congelamento de gastos de maio passado, quando perdeu um terço de suas verbas discricionárias.

Múcio voltou a bater perna no Congresso e conseguiu costurar seu pedido de adiantamento como um jabuti em projeto sobre combustíveis, neste mês. Se vai funcionar, é incerto, apesar do discurso pró-militares recente de Lula.

O peso do gasto com pessoal é politicamente quase intratável . Segundo o Ministério da Defesa, cerca de 40% desse gasto vai para inativos e pensionistas, o que demandaria reforma previdenciária improvável.

Para os ativos, uma solução apontada por especialistas seria escalar o emprego de militares temporários ou profissionalizar as Forças, abolindo o sistema atual de conscrição obrigatória.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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