Biógrafo revela relação do pai de Gilberto Gil com a ditadura
O exílio de Gilberto Gil em Londres, entre 1969 e 1972, guarda uma contradição familiar pouco conhecida.
Enquanto o cantor vivia fora do Brasil após ser preso pela ditadura militar, o pai dele, o médico Gil Moreira, não apenas apoiava o golpe de 1964 como comemorou a chegada do general Emílio Garrastazu Médici à presidência.
A história é uma das revelações da nova biografia do artista, Nem Tanto Esotérico Assim, escrita por Tom Cardoso.
Em entrevista ao Metrópoles , o biógrafo contou que esse foi um dos episódios que mais o surpreenderam durante a pesquisa sobre a trajetória de Gil.
A história ganhou tamanho peso para o autor que foi escolhida para abrir o livro.
“Pouca gente sabe que Gil Moreira, além de apoiar o Golpe de 64, comemorou a chegada ao poder de Garrastazu Médici, o mais duro dos presidentes militares.
Tudo isso em pleno exílio em Londres de seu filho, Gilberto Gil”, afirma Tom.
Não foi apenas a posição política do pai que chamou a atenção do escritor.
Durante a apuração, Tom diz não ter encontrado declarações em que Gil confrontasse publicamente Gil Moreira pelas posições adotadas durante o regime.
Leia também São Paulo Gilberto Gil receberá título de Doutor Honoris Causa da USP Entretenimento Quem é Gui Ventura, ator que vai viver Gilberto Gil em musical Fábia Oliveira Gilberto Gil fica preso em elevador e é resgatado por bombeiros no Rio Celebridades Foto: Gilberto Gil homenageia Preta Gil com clique raro com a filha “Das poucas vezes em que se refere a Gil Moreira, o fez de forma respeitosa e nunca crítica, o que explica um pouco o temperamento de Gil, de nunca questionar de forma muito contundente as coisas”, conta Tom.
Um Gil com contradições É justamente esse comportamento que ajuda Tom Cardoso a construir na biografia um retrato diferente da imagem quase incontestável adquirida por Gilberto Gil ao longo de décadas de carreira.
O escritor reconhece a dimensão do legado do baiano, mas argumenta que a importância artística não elimina as contradições encontradas ao investigar sua trajetória.
“Quando falo desse lado ‘isentão’ do Gil, da passividade em relação a alguns assuntos e passagens históricas, muita gente me questiona, dizendo que Gil é um patrimônio vivo da música brasileira, uma divindade, que deve ser amado e idolatrado à altura de seu legado.
O legado, de fato, é enorme, e isso também está no livro, mas não faz dele um personagem sem contradições, ambivalências.” Para Tom, o resultado da pesquisa é o retrato de uma figura menos mística do que aquela construída em torno do cantor: “Acho que o meu livro revela um Gil mais humano, um homem como todos os outros; daí o título do livro.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.metropoles.com — o conteúdo pertence a Metrópoles.