Prioridade de Lula deve ser apagar incêndio com nome para Fazenda, diz Garman, do Eurasia
Brasília O diretor-executivo para as Américas do Eurasia Group, Christopher Garman, avalia que a prioridade máxima para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) deve ser escolher, nos próximos dias, o nome do ministro da Fazenda para encaminhar uma operação "apaga-incêndio" da crise de confiança instalada no Brasil após a vitória nas eleições .
Para ele, os dois nomes hoje mais fortes para o cargo são o do governador do Piauí , Rafael Fonteles , e o do vice-presidente Geraldo Alckmin . "Fonteles é um nome que o mercado estaria disposto a aceitar. Ele tem uma reputação de experiência de gestão fiscal", diz ao C-Level Entrevista, videocast da Folha.
Garman afirma que Lula entrará no quarto mandato em situação diferente da que teve em 2022, quando tinha um grau de liberdade maior para agir.
"As contas estão numa situação mais precária, a credibilidade do governo do lado fiscal está no chão, o custo de oportunidade de não fazer nada é maior hoje", afirma. "O que me preocuparia, e eu acho que o mercado não compraria, é um ajuste gradual onde você não ataca as regras do gasto obrigatório."
Então o pânico na segunda-feira (26) também é fruto de que o mercado não estava bem posicionado para esse resultado, dado o contraste enorme entre as pesquisas e o resultado.
A grande pergunta é como o governo Lula vai lidar com essa crise de confiança. Vai depender não só das indicações para os postos-chave –em particular Fazenda e Casa Civil–, e igualmente, se não mais importante, que tipo de reforma pode ser colocada na mesa para tentar endereçar o aumento do gasto obrigatório e uma dinâmica da dívida muito preocupante.
Se nesse quarto mandato os sinais são mais construtivos e alguma correção de rumo é dada, há condições para uma volta desses preços de ativos [de] gerar condições mais benignas para que o Banco Central possa reduzir juros.
Existe diferença de perspectiva entre os investidores estrangeiros e brasileiros? O estrangeiro está mais disposto a amenizar dificuldades do lado fiscal, porque está olhando um portfólio muito grande de alternativas globalmente, e a alocação [de dinheiro aplicado] no Brasil não é muito grande. Eu diria que eles estão um pouco mais propícios a dar o benefício da dúvida dada a posição relativa que tem [o Brasil] no seu perfil de investimentos.
E aí o governo teve que correr atrás do prejuízo, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, encaminhando a nova regra fiscal, que foi colocada na mesa logo depois da eleição. Mas o governo entrou com mais grau de liberdade.
Dessa vez, as contas estão numa situação mais precária, a credibilidade do governo do lado fiscal está no chão, o custo de oportunidade de não fazer nada é maior hoje.
O Congresso que vai assumir em fevereiro tem um perfil mais conservador e possivelmente mais hostil.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.