Recorde de comparecimento leva participação eleitoral em Israel a 74,3%
A participação nas eleições parlamentares de Israel chegou a 74,3% às 20h do horário local, segundo dados da Comissão Central de Eleições. O índice já supera os 70,63% registrados ao fim do pleito de 2022. A eleição não define diretamente o primeiro-ministro: os eleitores escolhem partidos para ocupar as 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento israelense.
Ao longo do dia, o comparecimento já avançava em ritmo recorde. Às 16h, 55,7% dos eleitores haviam votado. Esta é a primeira eleição israelense desde o início dos ataques na Faixa de Gaza.
A votação ocorre após três anos de conflito, com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tentando permanecer no poder em meio a críticas sobre falhas de segurança e à condução da guerra. A alta participação também é observada entre cidadãos palestinos de Israel, que representam cerca de 20% da população do país.
Hanna Swaid, cristão palestino da Galileia e ex-integrante do Parlamento israelense, atribuiu o aumento do comparecimento à insatisfação acumulada com Netanyahu ao longo dos últimos quatro anos. Em entrevista à Al Jazeera, ele afirmou que o descontentamento mobiliza eleitores palestinos e judeus.
Swaid também disse que cidadãos palestinos querem mudanças e a saída de ministros que considera extremistas, como Itamar Ben-Gvir, da Segurança Nacional, e Bezalel Smotrich, das Finanças. Para ele, a eleição é uma das vias para tentar alterar os rumos do governo.
Mesmo após o fechamento das urnas, o resultado definitivo pode levar alguns dias para ser conhecido. As emissoras israelenses divulgam pesquisas de boca de urna assim que a votação termina, mas essas estimativas podem divergir da apuração oficial, prevista para avançar nos dias seguintes.
A definição do próximo governo, por sua vez, pode levar semanas ou até meses. Para governar, um bloco precisa reunir ao menos 61 parlamentares, o que exige acordos entre partidos. Depois da divulgação dos resultados, o presidente Isaac Herzog consulta as legendas e encarrega o candidato com maiores chances de formar uma coalizão.
Esse candidato tem até seis semanas para conseguir apoio suficiente. Se as negociações fracassarem, Israel poderá realizar uma nova eleição, enquanto o grupo atual permanece interinamente no cargo.
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