O novo embate entre cantores e a IA: quem tem o direito à própria voz?
É impressionante a quantidade de músicas hoje geradas por inteligência artificial, uma “habilidade” cada vez mais facilitada pelas ferramentas disponíveis.
Uma das que vêm chamando atenção no mercado é a americana Suno, que dispõe de robôs especializados nesse tipo de “composição”.
Os sistemas dela são capazes de montar canções em segundos.
O negócio virou um fenômeno.
Há quatro anos no mercado, possui 100 milhões de usuários e está sendo avaliada em 5,4 bilhões de dólares.
A startup está agora no centro de uma grande polêmica com artistas e gravadoras, sendo acusada de, na prática, abrir as portas para que as pessoas criem faixas mimetizando com recursos digitais as vozes de grandes estrelas — sem pagar os devidos direitos autorais.
Um processo movido por músicos americanos, liderados pelo cantor country Jason Isbell, exige que a Suno impeça o uso indevido das vozes dos artistas.
A empresa negou que viabilize esse tipo de criação, dizendo que sua missão é “ajudar pessoas a criarem músicas novas e originais”.
Para os autores do processo, contudo, as barreiras que o aplicativo oferece para impedir a clonagem das vozes famosas são fáceis de burlar.
Um exemplo citado: a ferramenta não gera músicas se o nome de um artista é digitado no comando — basta, contudo, soletrar o nome do mesmo artista com espaço entre cada letra para que o programa aceite a ordem.
Imagens anexadas ao processo mostram o resultado de um prompt com o nome de Isbell.
Além de imitar a composição e as guitarras acústicas do artista, a faixa recriou o sotaque country e sua característica voz suave.
REAÇÃO - Jason Isbell: ele lidera a ação judicial contra o aplicativo Suno Jason Kempin/Getty Images A Suno também está disponível no Brasil, onde o expediente de criar faixas com IA vem se popularizando por essa e outras ferramentas.
A canção The Fate of Ophelia , de Taylor Swift, ganhou versão feita com IA em ritmo de pagode com vocais idênticos aos de Luísa Sonza e Dilsinho.
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