Indecisos passam a orientar a movimentação das campanhas de Lula e Flávio na reta final
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai no fim desta semana a um terreno hostil: ao lado de candidatos ao governo e ao Senado, fará atos de rua nos dois maiores estados da Região Sul, onde seu governo é amplamente reprovado (54% o consideram “ruim/péssimo”, segundo o Datafolha) e aparece atrás de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial (31% a 38% no primeiro turno, segundo a Genial/Quaest).
Na sexta, 11, está agendado um comício no Largo Glênio Peres, no Centro Histórico de Porto Alegre, em evento que marca sua volta à cidade pela primeira vez desde março de 2024.
No sábado, repete o roteiro em Curitiba (onde ficou preso por 580 dias pela Lava-Jato), na Boca Maldita, tradicional ponto de discussões políticas, onde pisou pela última vez em setembro de 2022.
A turnê faz parte de um esforço não só para diminuir sua rejeição nesses estados, mas para atingir um dos públicos mais cobiçados pelas campanhas presidenciais a pouco menos de um mês da votação: os eleitores que ainda não decidiram em quem votar.
VOLTA – Lula na Boca Maldita, em Curitiba: retorno ao local onde esteve em 2022 Ricardo Stuckert/.
A caçada ao personagem que pode mudar o equilibrado jogo eleitoral tem dois cenários bem relevantes na região.
Rio Grande do Sul e Paraná estão entre os três estados com maiores percentuais de brasileiros indecisos nesta altura da campanha ( veja o quadro ), todos com taxas bem superiores à média nacional, que é de 10%, o dobro do índice registrado nesse mesmo período em 2022, que era de 5%.
A estimativa da Quaest é que no país haja mais de 21 milhões de eleitores indecisos, concentrados principalmente no Sul e no Sudeste.
Se fossem um colégio eleitoral, os indecisos formariam o segundo maior do país, atrás somente de São Paulo.
Continua após a publicidade Um dos motivos para o aumento da taxa é um certo cansaço com a polarização entre petismo e bolsonarismo, que vem desde 2018.
“Temos vários indicadores nesse sentido: o eleitor, neste ano, está menos animado com as eleições”, aponta Guilherme Russo, diretor de inteligência da Quaest.
A rodada mais recente de levantamentos estaduais do mesmo instituto mostra outro fator que ajuda a explicar esse índice: quase todos os locais com taxas elevadas de indecisão também registram pouca distância ou empate técnico entre Lula e Flávio.
Quanto mais indefinida a disputa, maior parece ser a parcela dos que ainda não sabem para que lado pender: no Rio Grande do Sul, por exemplo, que registra a maior taxa de indecisão entre os estados (18%), Flávio tem 34% contra 28% de Lula — os dois estão empatados no limite da margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.