Estudo desvenda evolu��o de truque de cobras para atrair presas
Uma coluna sobre teoria da evolução, ciência, religião e a terra de ninguém entre elas. Por Reinaldo José Lopes
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Cá entre nós, pelo menos metade da diversão de escrever sobre ciência é descobrir um novo pedacinho de terminologia maravilhoso, e o meu favorito desta semana seguramente é "engodo caudal".
Podemos empregar a expressão quando falamos das serpentes da família dos viperídeos, chamadas coletivamente de víboras e que têm entre seus membros as cascavéis do gênero Crotalus e as jararacas do gênero Bothrops . O dito engodo se dá quando um desses predadores sofisticados ondula a cauda, com movimentos ritmados, para dar a impressão de que aquilo é uma minhoca ou coisa que o valha se debatendo. A presa da serpente acha que seu almoço chegou e, é claro, vai parar no papo da cobra, que dá o bote se aproveitando de sua distração.
Trata-se de um sistema simples e elegante, daqueles que a seleção natural é mestra em construir, ainda mais considerando o fato de que a cauda ondulatória pode ter coloração diferente do resto do corpo do bicho, o que favorece ainda mais sua função de isca. Agora, pesquisadores brasileiros conseguiram mapear a trajetória evolutiva desse truque, ajudando a entender como ele está conectado com o desenvolvimento dos répteis.
Está tudo descrito em artigo na revista científica Ethology Ecology & Evolution , assinado por Aída Giozza e Veronica Slobodian, da UnB ( Universidade de Brasília). Giozza foi orientada em seu mestrado por Reuber Brandão, também pesquisador da UnB e coautor do trabalho.
Para entender as raízes evolutivas de um conjunto de características, uma estratégia comum adotada pelos biólogos é mapear como elas estão distribuídas num grupo de seres vivos com ancestrais comuns, e foi essa a abordagem adotada pela equipe da UnB. O ponto de partida deles foi uma ampla filogenia ("árvore genealógica" evolutiva) dos viperídeos, com 263 espécies.
Dessas, os pesquisadores conseguiram dados mais confiáveis sobre 220 serpentes –só entraram na análise aquelas sobre as quais havia informações seguras sobre o engodo caudal e as características associadas a ele.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.