A alquimia de transformar a própria história
Há partes da nossa história que gostaríamos de apagar: momentos que doeram, palavras que gostaríamos de não ter ouvido, escolhas que faríamos diferente, relações que deixaram marcas, perdas que mudaram nossa maneira de olhar a vida; mas o passado tem uma característica incontornável: ele não pode ser reescrito.
O que pode mudar é o lugar que ele ocupa dentro de nós.Durante séculos, os alquimistas se dedicaram aos mistérios da transformação da matéria.
Carl Gustav Jung, muitos séculos depois, percebeu nas imagens da alquimia uma poderosa representação dos processos de transformação da própria psique.
Aquilo que precisava ser dissolvido, separado, purificado e, novamente reunido, também poderia simbolizar movimentos que acontecem dentro de nós.
Talvez amadurecer tenha algo de alquímico; não porque conseguimos transformar tudo o que foi doloroso em algo bonito; nem porque precisamos agradecer pelo que nos feriu; mas porque podemos transformar a maneira como aquilo que aconteceu continua vivendo em nós...Uma criança, por exemplo, pode ter se sentido abandonada; talvez tenha vivido uma ausência, uma separação ou simplesmente não tenha recebido o acolhimento de que precisava naquele momento; e, para aquela criança, a experiência foi real.O problema é quando os anos passam, o corpo cresce, a vida muda, mas alguma parte daquela criança continua esperando que o abandono aconteça novamente.
Então o adulto pode começar a viver suas relações a partir desse medo: pode se esforçar demais para não desagradar; aceitar o que não gostaria de aceitar; sofrer, excessivamente, diante de um afastamento; tentar controlar quem ama; ou até evitar vínculos profundos para não correr o risco de perder alguém outra vez.
Aquilo que um dia foi uma tentativa de proteção pode, anos depois, transformar-se em uma prisão; pois o que foi necessário para sobreviver emocionalmente em determinado momento da vida não precisa se tornar uma forma permanente de viver.É aí que começa uma importante transformação: não se trata de apagar a criança que se sentiu abandonada nem de convencê-la de que “não foi nada”.
Trata-se de reconhecer sua experiência e, ao mesmo tempo, permitir que o adulto de hoje perceba: eu já não estou naquele lugar.Isso vale para tantas outras histórias.Quem cresceu precisando provar seu valor pode passar a vida buscando reconhecimento; quem aprendeu que precisava agradar para ser amado pode tornar-se um adulto incapaz de dizer não; quem foi constantemente criticado pode carregar uma voz interna que continua criticando mesmo quando aquelas pessoas já não estão por perto; quem sofreu uma grande rejeição pode interpretar qualquer afastamento como a confirmação de que nunca será escolhido.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.