Por R$ 1 milhão, Cezinha dizia que “despacharia” por ganho de causa junto a Nunes Marques, relata PF
A deflagração da terceira fase da Operação Transparência pela Polícia Federal abriu um novo e ruidoso capítulo nas apurações que conectam os bastidores do bolsonarismo no Legislativo às mais altas instâncias da magistratura nacional.
No centro das decisões assinadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, ganha corpo a descrição minuciosa de um suposto balcão de negócios operado para comercializar facilidades, acessos e teses jurídicas junto a gabinetes do Supremo.
O pivô do esquema, segundo a representação policial, é o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), acusado de atuar como o braço presencial de uma estrutura organizada para interferir no rumo de processos em troca de generosas recompensas financeiras.
Conforme os documentos anexados ao inquérito e detalhados na decisão que justificou o cumprimento dos mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo, o parlamentar exercia uma função singular e heterodoxa.
Sem possuir diploma em Direito ou inscrição nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o que o impede legalmente de exercer a capacidade postulatória e subscrever petições, Cezinha valia-se do peso institucional do mandato, da liderança que exerce na bancada evangélica e de seu livre trânsito político nos corredores de Brasília para marcar audiências e realizar o que a corporação classificou explicitamente como “despachos” em favor de causas privadas.
A mecânica do grupo funcionava sob um arranjo simbiótico e perfeitamente dividido entre três figurantes centrais: A captação e a inteligência jurídica: Na ponta inicial figurava a advogada Mariângela Fialek, conhecida no meio político pelo apelido de “Tuca”.
Ex-assessora de grande relevância da presidência da Câmara durante a gestão de Arthur Lira (PP-AL), e já investigada anteriormente por sua forte influência na gestão de emendas orçamentárias, Fialek era incumbida de identificar potenciais clientes, prospectar demandas milionárias, elaborar a estratégia de defesa e redigir os memoriais destinados aos ministros.
O enquadramento financeiro e contratual: O elo intermediário ficava a cargo da advogada Valéria Rodrigues Linhares.
Cabia a ela a confecção, revisão e assinatura formal dos instrumentos de honorários advocatícios e contratos de cessão de crédito.
Os investigadores apontam Valéria como companheira do deputado, elo vigorosamente rebatido por sua assessoria, que nega a existência de qualquer vínculo matrimonial com o parlamentar.
A abordagem política e presencial: A ponta final e decisiva da operação ficava a cargo do próprio Cezinha de Madureira.
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