Por que o El Niño pode trazer uma conta salgada para as empresas
O próximo verão pode trazer mais do que temperaturas elevadas para o Brasil.
Segundo o Climate Prediction Center (CPC), há 81% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, cenário que aumenta o risco de calor intenso e eventos climáticos extremos nos próximos meses.
Para as empresas, a combinação pode significar aumento da demanda por climatização, maior pressão sobre equipamentos e infraestrutura e custos mais altos de energia.
O cenário ganha relevância diante da projeção de reajuste de cerca de 8% nas tarifas de eletricidade em 2026.
O impacto tende a ser maior em negócios que dependem de ambientes climatizados durante muitas horas por dia ou que concentram grande quantidade de pessoas, máquinas e equipamentos.
Varejo, hotelaria, academias, hospitais, escolas, centros de distribuição, logística, indústria e data centers estão entre as operações mais expostas.
“Os setores mais expostos são aqueles que dependem de ambientes climatizados para manter suas atividades em funcionamento ou que operam com grande volume de pessoas, equipamentos e horas de funcionamento”, afirma Mateus Orsini, CEO da Vulp Air.
Continua após a publicidade Segundo o executivo, quanto maior a área climatizada, o número de equipamentos e o tempo de funcionamento, maior tende a ser a pressão sobre a infraestrutura durante períodos prolongados de calor.
O impacto de temperaturas elevadas vai muito além da conta de luz.
Em ambientes muito quentes, funcionários podem ter redução de conforto, concentração e produtividade.
Em situações mais extremas, também aumentam os riscos de desidratação e outros problemas relacionados ao calor.
O efeito pode chegar ainda à experiência dos consumidores.
Em setores como varejo, academias e hotelaria, ambientes desconfortáveis podem fazer com que clientes permaneçam menos tempo nos estabelecimentos ou até deixem de retornar.
Continua após a publicidade “Em negócios como hotéis, academias e varejo, existe ainda o impacto sobre a experiência do consumidor, que pode passar a permanecer menos tempo no ambiente — o que reduz o tempo de permanência na loja e o ticket médio — ou simplesmente optar por não voltar”, explica Orsini.
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